Sinal dos tempos? segunda novilha vermelha nasce em Israel e acelera expectativas pelo 3º Templo
Apenas um mês e meio após o Instituto Nacional da Novilha Vermelha anunciar o nascimento de uma novilha vermelha durante a leitura da Parashá Chukat, a instituição confirmou o surgimento de um segundo exemplar. O novo nascimento ocorreu nas Colinas de Golã, na véspera do Tisha B’Av, ampliando o alcance das ações do grupo. Na mesma semana, duas outras novilhas foram inseminadas na antiga cidade de Siló. Segundo o Instituto, essas iniciativas fazem parte de um plano abrangente focado em formar um rebanho completo e restabelecer as antigas leis de pureza em Israel, interrompidas há cerca de dois milênios.
O animal mais recente nasceu diretamente no rebanho de Shai Givon, criador parceiro da instituição e responsável por identificar também a novilha anterior em um dos seus locais de trabalho. Desde o parto, foram adotados cuidados rígidos para preservar a integridade do animal, evitando procedimentos como a fixação de etiquetas auriculares, uma vez que a perfuração da orelha geraria um defeito capaz de desqualificar o exemplar para fins rituais.
Diante do curto intervalo entre os nascimentos, Givon declarou não interpretar o evento como um acontecimento casual. Ele afirmou sentir que a sociedade vive um período histórico e relatou ter recebido questionamentos de diversos setores do judaísmo — incluindo grupos hassídicos, lituanos, seculares e religiosos — tanto em Israel quanto no exterior. Para o criador, há uma sintonização pública inédita em relação ao Templo e ao resgate da pureza, com a abertura de oportunidades que não ocorriam desde o período do exílio.
Givon acrescentou que a equipe já previa nascimentos para a atual temporada, mas ressaltou que a proximidade da data com o Tisha B’Av intensifica a percepção interna de urgência no caminho para a reconstrução do Templo. Segundo ele, o ponto central do debate passa a ser o interesse ativo da comunidade em concretizar esse objetivo.
Os Desafios vetrinários e haláchicos
Embora o nascimento no próprio rebanho tenha evitado o uso de marcas auriculares, a condição biológica da nova novilha trouxe uma questão haláchica inédita. O animal nasceu como gêmeo de um bezerro macho, cenário veterinário em que pode ocorrer o compartilhamento da circulação sanguínea placentária. Em aproximadamente 98% desses casos, a troca hormonal e a exposição à testostorona afetam o desenvolvimento do sistema reprodutivo da fêmea — condição conhecida na medicina veterinária como freemartin. Isso resulta em deformidades uterinas internas que a qualificam, do ponto de vista da halachá, como uma aylonit, ou seja, uma fêmea incapaz de conceber.
A análise do caso foi encaminhada ao Beit Midrash do Instituto, órgão composto por cerca de vinte rabinos encarregados da orientação religiosa da instituição. A equipe concluiu recentemente a avaliação da novilha anterior, cuja perfuração na orelha havia cicatrizado ao ponto de quase não deixar vestígios da imperfeição inicial. Agora, os sábios debatem se um defeito interno e congênito no útero, invisível a olho nu, desqualifica o animal para o cumprimento da mitsvá da novilha vermelha.
O Rabino Azariah Ariel, líder do Beit Midrash do Instituto, esclareceu que há dúvidas profundas sobre se anomalias internas invisíveis afetam o status de um animal tanto para sacrifícios gerais quanto para o ritual específico da novilha vermelha. Ele enfatizou que, por buscarem a consolidação de um padrão de alcance nacional, a decisão não será tomada isoladamente. O conselho pretende submeter suas conclusões à aprovação de autoridades haláchicas de grande proeminência. A expectativa é publicar pareceres sobre as questões centrais no prazo de um ano e, posteriormente, lançar uma obra de quatro volumes intitulada Parah Adumah Kehilchatah (A Novilha Vermelha Segundo a Halachá), sintetizando uma década de estudos. Para aprofundar o debate com a comunidade rabínica em geral, o Instituto agendou um encontro com líderes de todo o país para quinta-feira, 6 de agosto, em uma propriedade no norte de Israel.
O engajamento comunitário e a perspectiva futura
Paralelamente às discussões jurídicas e religiosas, o interesse público em torno do Templo tem registrado crescimento significativo. Yehuda Ben Tzvi, uma das lideranças do Instituto, acompanha esse movimento por meio das atividades do Centro Educacional Mikdash. Durante o período conhecido como As Três Semanas, a organização intensificou programas educativos em dezenas de localidades. Apenas no último mês, a iniciativa alcançou cerca de 10.000 pessoas em 60 comunidades, abrangendo desde Acre até Bnei Netzarim. Na semana dos Nove Dias, um evento educativo na antiga Siló reuniu diariamente 1.000 crianças, totalizando 5.000 jovens participantes do Conselho Regional de Binyamin.
Com o aumento da procura por atividades relacionadas ao tema ao longo do último ano, a instituição lançou recentemente uma campanha de arrecadação de fundos em larga escala para expandir seu alcance operacional e educacional.
Ben Tzvi projetou a possibilidade de que, no período do Tisha B’Av em dois anos, o processo de purificação possa ser realizado de forma nacional pela primeira vez em 2.000 anos. Ele citou a passagem bíblica do profeta Zacarias (8:19) sobre a conversão de dias de luto em momentos de celebração para ilustrar a expectativa de transformação do significado histórico das datas de jejum. Para o líder educacional, a questão determinante para o momento atual reside no engajamento prático de cada indivíduo para a construção do Templo.