Flávio Bolsonaro discursa nos EUA contra tarifaço e dispara: “Fui defender o Brasil, o governo Lula não enviou ninguém”

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O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), participou nesta terça-feira (7) de uma audiência pública em Washington, nos Estados Unidos, para se posicionar contra a proposta de um novo “tarifaço” sobre produtos brasileiros. Em pronunciamento feito em inglês, o parlamentar defendeu o adiamento de quaisquer sanções econômicas e criticou a postura do atual governo federal diante do impasse comercial. O senador viajou acompanhado de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside em território americano.

Durante sua exposição, Flávio Bolsonaro argumentou que o momento atual é totalmente inadequado para a aplicação de barreiras comerciais, destacando a proximidade das eleições presidenciais de outubro no Brasil. Segundo o parlamentar, o cenário político brasileiro passará por profundas mudanças nos próximos 90 dias, e a imposição de tarifas agora recompensaria os responsáveis pelas políticas questionadas pelos norte-americanos, além de criar um retrocesso de difícil reversão. Ele sugeriu que, se o objetivo dos EUA é pressionar o Brasil, o uso de tarifas gerais é inadequado e que deveriam ser adotados mecanismos direcionados a indivíduos específicos.

O senador também utilizou o espaço para rebater críticas ao PIX, sistema de pagamentos instantâneos que ele atribuiu à gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio ressaltou que a ferramenta impulsionou a inclusão financeira de milhões de cidadãos de baixa renda e que a tecnologia continua beneficiando diretamente empresas norte-americanas que operam no mercado nacional. Paralelamente à pauta econômica, o pré-candidato fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mencionando grandes escândalos de corrupção da história recente do país para contextualizar os desafios internos do Brasil.

Contraponto do Itamaraty e o foco nas negociações técnicas

A participação de Flávio Bolsonaro ocorreu de maneira independente e não representou a diplomacia oficial brasileira. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) já havia enviado uma manifestação formal ao governo americano no início deste mês. No documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Executivo brasileiro rebateu as acusações de que adota práticas “irrazoáveis” ou restritivas ao comércio, argumentando que os Estados Unidos não comprovaram a existência de barreiras discriminatórias nas políticas do Brasil.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva também contestou as menções americanas ao PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que tais temas tratam de soberania e política interna, e não de regulação comercial. Para o Itamaraty, a utilização dessas justificativas amplia de forma desproporcional a aplicação da legislação comercial dos Estados Unidos. Além disso, a gestão atual avalia que audiências públicas não são o ambiente adequado para deliberações reais, priorizando as reuniões técnicas e bilaterais de alto nível que já estão agendadas.

Bastidores e prazos no órgão de comércio americano

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por formular a política comercial do país e sugerir sanções ao presidente americano, estabeleceu o dia 15 de julho como prazo final para decidir sobre a implementação das tarifas adicionais contra o Brasil. O espaço utilizado por Flávio Bolsonaro foi obtido por meio de uma inscrição pública aberta a qualquer interessado. O senador seguiu o protocolo exigido, enviando previamente um resumo de suas intenções de fala e solicitando o tempo padrão de cinco minutos para o depoimento presencial.

Ao se apresentar no evento como membro do Senado Federal e pré-candidato à Presidência, Flávio também mencionou ter se reunido pessoalmente com o ex-presidente Donald Trump para tratar do tema. Logo após o encerramento das apresentações, o parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais criticando a ausência de representantes oficiais do governo Lula na lista de oradores do evento, classificando a audiência como um fórum decisivo onde os interesses de empresas e trabalhadores brasileiros deveriam ter sido defendidos formalmente pelo Palácio do Planalto.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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