Ciclone traz temporais no Sul e aciona virada radical no tempo do Sudeste
Uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical no oceano mantém o sinal de alerta ligado na Região Sul nesta quinta-feira (2). O sistema meteorológico se organiza próximo à divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, abrindo caminho para uma forte massa de ar polar. Antes da queda brusca nos termômetros, os estados sulistas enfrentam um dia de severa instabilidade, com previsão de chuva volumosa, raios, queda de granizo e rajadas de vento que podem superar os 80 km/h.
As áreas mais afetadas pelos temporais concentram-se no centro-norte gaúcho, em Santa Catarina e nas regiões sul e sudoeste do Paraná. Em alguns municípios, os acumulados de chuva podem ultrapassar a marca de 60 milímetros em apenas uma hora ou registrar mais de 100 milímetros ao longo do dia. No litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, os ventos ganham força e devem atingir os 60 km/h, deixando o mar agitado.
A instabilidade persiste durante a madrugada e a manhã de sexta-feira (3) no norte gaúcho, em Santa Catarina e em trechos paranaenses. Contudo, ao longo do dia, os temporais perdem força na maior parte da região, restando apenas pancadas isoladas no litoral catarinense e paranaense.
Massa de ar polar traz geada e chance de neve
Com o afastamento da frente fria, a intensa massa de ar polar avança e derruba as temperaturas de forma acentuada. Há previsão de marcas negativas em áreas do Rio Grande do Sul e da Serra Catarinense, cenários que favorecem a formação de geada ampla entre os dois estados. As regiões mais altas das serras gaúcha e catarinense também registram uma pequena possibilidade de neve. Embora a ocorrência dependa de uma combinação precisa entre umidade e frio extremo, a chance não está descartada.
Esse frio intenso deve persistir no sábado (4), com marcas ainda mais baixas durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã. Os termômetros despencam especialmente nos planaltos, nas serras e no interior dos dois estados mais ao sul do país, onde o vento persistente deve aumentar consideravelmente a sensação de frio.
Sudeste enfrenta virada radical no tempo
No Sudeste, a quinta-feira ainda começa com tempo firme e predomínio de sol em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O aquecimento diurno eleva as máximas para a casa dos 32°C no oeste paulista e em território fluminense. A exceção fica por conta do sul mineiro, que já registra um amanhecer frio com mínimas entre 8°C e 10°C, enquanto a umidade do ar despenca no período da tarde no sul do Rio de Janeiro e no oeste de São Paulo.
A grande virada no tempo ocorre na sexta-feira com a chegada da frente fria e do ar polar ao litoral do Sudeste. A entrada de umidade marítima estimula o aumento de nebulosidade e provoca chuva fraca e isolada no leste de São Paulo e no Rio de Janeiro. Na capital paulista, o céu fechado, os ventos e a umidade impedem a subida das temperaturas, mantendo o dia frio e com pouca variação térmica. No centro-leste do estado de São Paulo, as máximas não passam de 16°C. Já na capital fluminense, os termômetros despencam para 23°C, acompanhados de céu nublado e chuva passageira.
Minas Gerais, Espírito Santo e o centro-oeste paulista seguem com tempo mais firme e seco. No entanto, mesmo nessas áreas, os efeitos da massa polar começam a ser sentidos através do declínio das temperaturas, que se torna mais perceptível durante a noite e nas madrugadas.
Centro-Oeste e Norte sofrem com calor e baixa umidade
A massa de ar polar também consegue romper barreiras e alcançar o Centro-Oeste, afetando o sul e o oeste de Mato Grosso, além de grande parte de Mato Grosso do Sul. O resfriamento se consolida na sexta-feira, com mínimas oscilando entre 7°C e 9°C nas áreas mais frias. Apesar do amanhecer gelado, o sol forte garante tardes quentes na região, com máximas que chegam a 36°C no norte mato-grossense, gerando uma grande amplitude térmica.
A preocupação central no Centro-Oeste e em partes do Norte continua sendo a baixa umidade do ar e o risco de queimadas. Os índices devem ficar entre 20% e 30% nas horas mais quentes do dia em Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Em Tocantins, Rondônia e no sul do Pará, o padrão se repete com calor de até 38°C e umidade perto de 20%, o que, somado à vegetação seca, eleva o potencial para a propagação de incêndios.
Nas demais áreas da Região Norte, as pancadas de chuva com raios e ventanias seguem concentradas no oeste e norte do Amazonas, em Roraima, no Amapá, na Ilha do Marajó e no norte paraense. Na sexta-feira, o norte amazonense deve concentrar a chuva mais intensa, enquanto o restante da região terá apenas precipitações rápidas e isoladas.
O panorama meteorológico para a Região Nordeste aponta para a manutenção do tempo seco e quente em todo o interior nesta quinta e sexta-feira. Apenas a faixa litorânea que se estende do Rio Grande do Norte até a Bahia pode registrar episódios de chuva fraca, rápida e bastante isolada, provocada pela umidade que sopra do Oceano Atlântico.
No Sertão nordestino, os níveis de umidade do ar podem atingir marcas críticas entre 20% e 30% nas horas de calor mais intenso. As temperaturas máximas sobem rapidamente e tocam os 36°C, com destaque para o interior do Piauí. Em contrapartida, as áreas de altitude no centro-sul da Bahia experimentam um clima ameno, com mínimas previstas entre 11°C e 13°C durante as madrugadas.