Noite de horror: bombardeio russo sacode Kiev, derruba edifícios e deixa dezenas de mortos

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A capital ucraniana foi alvo de um novo e massivo bombardeio combinado de mísseis e drones durante a madrugada de quinta-feira, resultando na morte de pelo menos 20 pessoas e deixando dezenas de feridos. O balanço oficial aponta que 86 pessoas foram atingidas, das quais 70 necessitaram de hospitalização imediata. As autoridades locais alertam que o número de vítimas fatais pode aumentar à medida que as equipes de resgate avançam no trabalho de busca em meio aos escombros.

O ataque desencadeou incêndios simultâneos em diversos pontos de Kiev. Estações de metrô ficaram lotadas com milhares de cidadãos em busca de proteção, refletindo o clima de tensão que se intensificou após mais de quatro anos de conflito em grande escala. O prefeito Vitali Klitschko informou que o impacto direto de um projétil causou o desabamento do primeiro ao sexto andar de um edifício residencial, enquanto partes de outro bloco de apartamentos também ruíram, exigindo operações de resgate complexas. Diante da tragédia, o governo municipal decretou luto oficial na capital para a próxima sexta-feira.

Alertas prévios e justificativas de Moscou

A ofensiva russa já era esperada pela inteligência ucraniana. Na véspera do ataque, o presidente Volodymyr Zelenskyy, em agenda oficial em Dublin, havia alertado a população sobre a iminência de um bombardeio severo, reforçando a necessidade do uso de abrigos. A ação cumpre uma advertência feita pelo Kremlin no final de maio, quando diplomatas estrangeiros foram orientados a deixar a cidade sob a justificativa de que os ataques contra “centros de tomada de decisão” seriam intensificados.

Por sua vez, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou o uso de armamentos lançados por plataformas aéreas, terrestres e marítimas, alegando que a operação foi uma retaliação aos recentes ataques ucranianos contra o seu território. Segundo o comunicado de Moscou, os alvos principais foram instalações militares e a infraestrutura energética da Ucrânia, afetando não apenas a capital, mas também diversas outras regiões do país.

A escalada nos bombardeios ocorre em um momento em que a Rússia enfrenta sérias dificuldades no abastecimento interno de combustíveis, reflexo de uma campanha bem-sucedida de drones ucranianos de longo alcance contra refinarias russas. O impacto econômico e logístico forçou o racionamento de gasolina em várias províncias da Rússia e levou à decretação de estado de emergência na península ocupada da Crimeia.

A Ucrânia mantém a estratégia de pressionar a Crimeia, região anexada ilegalmente por Moscou em 2014 e que funciona como o principal centro logístico para as tropas russas no sudeste ucraniano. Como parte dessa contraofensiva, um ataque com drone contra instalações industriais na região russa de Nizhny Novgorod resultou na morte de uma pessoa na manhã de quinta-feira, demonstrando a capacidade de Kiev de atingir alvos profundos no território vizinho.

Reação diplomática e mobilização internacional

A narrativa de retaliação adotada por Moscou foi duramente rechaçada pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, que cumpre agenda oficial no Japão. O chanceler classificou o argumento russo como “imoral”, enfatizando que a Ucrânia possui o direito legítimo de se defender e atacar alvos militares de um país agressor. Sybiha aproveitou o cenário de devastação para reiterar o apelo emergencial aos aliados ocidentais pelo fornecimento imediato de novos sistemas de defesa aérea.

O agravamento da situação na Ucrânia colocou os países vizinhos e membros da OTAN em estado de alerta. A Polônia acionou caças de forma preventiva para patrulhar seu espaço aéreo durante o bombardeio, enquanto a Finlândia estabeleceu temporariamente uma zona de restrição de aviação no leste do Golfo da Finlândia como medida de segurança.

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