Nunes Marques assume decisão sobre pedido do PL para impugnar pesquisa da AtlasIntel
O recém-empossado presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, terá sob sua responsabilidade uma das primeiras decisões de grande impacto político na corrida presidencial de 2026. Ele foi acionado para deliberar, em caráter de urgência, sobre um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) que visa derrubar e proibir a divulgação do mais recente levantamento do instituto AtlasIntel.
A contestação ocorre em um momento de revés para a oposição. Os dados publicados nesta terça-feira (19) apontam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança das intenções de voto, com 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 41,8%. O desempenho do parlamentar representa uma queda de seis pontos percentuais em comparação com a semana anterior, o que analistas apontam como um reflexo direto do recente escândalo político envolvendo o seu nome.
O impacto do escândalo e o questionário da disputa
A oscilação negativa na preferência do eleitorado coincide com o vazamento, ocorrido na semana passada, de áudios e mensagens de texto. Nos registros, o senador supostamente cobra repasses financeiros de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar a produção de Dark Horse, um filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante do fato, a AtlasIntel registrou no TSE um questionário composto por 48 perguntas, incluindo tópicos específicos para medir o tamanho do desgaste. A pesquisa sondou se os eleitores tomaram conhecimento dos áudios vazados e qual a opinião pública sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro no episódio com o banqueiro.
Argumentos jurídicos e o posicionamento do instituto
A defesa do PL e de Flávio Bolsonaro sustenta que o levantamento carece de isenção. Os advogados do partido alegam que a estrutura das perguntas foi desenhada de forma parcial e tendenciosa, com o claro objetivo de induzir respostas negativas para prejudicar deliberadamente a imagem do pré-candidato perante a opinião pública.
Por outro lado, a AtlasIntel demonstrou segurança quanto à lisura do seu trabalho. Em nota oficial, o instituto de pesquisa informou que tomou conhecimento da representação jurídica por meio da imprensa e que ainda não havia recebido uma notificação formal da Justiça Eleitoral. A entidade declarou, ainda, que “manifesta plena tranquilidade diante de qualquer questionamento” sobre a metodologia aplicada. Caberá agora a Nunes Marques avaliar os argumentos de ambas as partes e emitir uma decisão.