Sob forte tensão, a Rússia e a Bielorrússia realizam exercícios nucleares conjuntos após maior ofensiva de drones da Ucrânia em Moscou
Em uma clara demonstração de força, a Rússia e a Bielorrússia realizaram exercícios militares conjuntos para a implantação de armas nucleares táticas. A manobra ocorreu logo após o maior ataque de drones lançado pela Ucrânia contra a região de Moscou desde o início do conflito, elevando o estado de alerta na região.
De acordo com o Ministério da Defesa da Bielorrússia, a atividade simulou o lançamento de armamentos nucleares a partir de plataformas móveis e locais não planejados, testando a prontidão operacional de suas tropas. Embora Minsk defenda que o treinamento já estava programado e não visa uma nação específica, o Ministério da Defesa russo não confirmou a operação de imediato.
O impacto dos ataques em território russo
A mobilização militar coincide com uma ofensiva aérea expressiva por parte de Kiev. O ataque de drones contra a capital russa e arredores resultou em pelo menos três mortes. Além dos danos humanos, o governo ucraniano afirmou ter atingido alvos estratégicos de grande valor econômico e militar, incluindo a maior refinaria de petróleo de Moscou, um depósito de combustíveis em Solnechnogorsk e uma fábrica de componentes microeletrônicos.
Mudanças na doutrina nuclear do Kremlin
O treinamento conjunto reflete a postura mais agressiva adotada pelo presidente Vladimir Putin, que há quatro anos adota uma retórica de ameaças nucleares veladas. Essa estratégia ganhou respaldo jurídico após o Kremlin atualizar sua doutrina militar, passando a autorizar um ataque nuclear de “primeiro uso” caso a integridade territorial da Rússia seja colocada em risco.
A Ucrânia reagiu duramente aos exercícios e à postura dos países vizinhos. O Ministério das Relações Exteriores ucraniano acusou o Kremlin de transformar o território bielorrusso em uma base de operações nucleares avançada nas fronteiras da OTAN, alertando que a medida legitima a proliferação dessas armas globalmente. Kiev fez um apelo para que a comunidade internacional condene formalmente as ações de Moscou e Minsk.
A tensão na fronteira com a aliança militar ocidental tem crescido de forma consistente. Recentemente, a Rússia posicionou na Bielorrússia o sistema de mísseis balísticos hipersônicos Oreshnik, capaz de carregar ogivas nucleares. O desdobramento atendeu a pedidos do presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que alega sofrer ameaças de membros vizinhos da OTAN e aumentou a pressão regional ao anunciar uma mobilização parcial de suas próprias forças armadas.