O retorno do El Niño: fenômeno deve se intensificar e trazer calor extremo e chuvas severas ao Brasil

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A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço da ONU para questões climáticas, confirmou em boletim divulgado nesta sexta-feira (24) que o fenômeno El Niño deve se consolidar entre os meses de maio e julho deste ano. Os dados indicam que o Pacífico equatorial já apresenta um aquecimento acelerado em sua superfície, acompanhado pelo acúmulo de calor em águas profundas, sinais clássicos que antecedem o fenômeno. Embora as projeções atuais mostrem um forte alinhamento dos modelos meteorológicos, a entidade ressalta que a precisão das previsões tende a ser mais sólida após o mês de abril, superando a chamada “barreira de previsibilidade da primavera”.

De acordo com Wilfran Moufouma Okia, chefe de previsão climática da OMM, há uma confiança elevada de que o fenômeno não apenas comece em breve, mas ganhe força considerável no segundo semestre. Especialistas sugerem que este próximo evento pode ser classificado como forte, embora a cautela ainda seja necessária devido às limitações técnicas típicas desta época do ano. O El Niño, caracterizado pelo aumento de pelo menos 0,5°C nas águas do Oceano Pacífico, ocorre em ciclos de dois a sete anos e altera drasticamente a circulação atmosférica global, influenciando o clima em diversos continentes de formas distintas.

Impactos globais e o fator aquecimento global

Historicamente, o El Niño está associado a um aumento de pluviosidade no sul da América do Sul e dos Estados Unidos, além de regiões da Ásia Central e do Chifre da África. Em contrapartida, áreas como Austrália, Indonésia e partes do sul asiático costumam enfrentar secas severas. Um ponto de preocupação central para a OMM é a elevação das temperaturas globais; o ano de 2024, por exemplo, bateu recordes de calor devido à combinação de um El Niño intenso com o aquecimento global causado pelas emissões de gases de efeito estufa. Para o trimestre que se inicia em maio, a previsão é de temperaturas acima da média em quase todo o planeta, com destaque para a Europa, Caribe e norte da África.

Consequências diretas para o território brasileiro

No Brasil, a influência do El Niño se manifesta de forma desigual e exige atenção das autoridades e do setor produtivo. O fenômeno tende a intensificar as chuvas na Região Sul, elevando o risco de eventos climáticos extremos, enquanto o Norte e partes do Nordeste enfrentam reduções significativas nos índices pluviométricos. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o padrão de chuvas torna-se mais irregular. Além da mudança na umidade, espera-se uma maior frequência de ondas de calor, especialmente durante a primavera e o verão, exacerbando o cenário de aquecimento que o planeta já enfrenta de forma estrutural.

Mesmo com a alternância natural entre as fases El Niño e La Niña, a comunidade científica reforça que o aquecimento global permanece como o motor principal das mudanças climáticas contemporâneas. Com os oceanos registrando marcas térmicas acima da média histórica, os efeitos de episódios moderados podem ser hoje tão impactantes quanto eventos severos do passado. A Organização Meteorológica Mundial continuará monitorando a evolução das águas do Pacífico e deve publicar uma atualização detalhada sobre o cenário climático até o final de maio.

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