Cientistas alertam para megaterremoto no Himalaia e criticam falta de preparo da Índia
Especialistas e pesquisadores de diversas instituições indianas emitiram um alerta urgente durante um workshop global realizado no Instituto Indiano de Tecnologia (IIT) Mandi. O consenso acadêmico aponta que a região do Himalaia está na iminência de sofrer um “mega terremoto” com magnitude superior a 8,5. Apesar do risco geológico conhecido há décadas, os cientistas advertem que a Índia continua despreparada, repetindo falhas históricas e negligenciando estratégias eficazes para proteger vidas e o patrimônio nacional.
Embora existam avanços tecnológicos em sistemas de alerta precoce — capazes de oferecer cerca de um minuto de antecedência antes do tremor — muitos especialistas questionam a eficácia isolada dessas ferramentas. O Dr. Supriyo Mitra, do IISER Calcutá, defende que o foco deve mudar da previsão para a preparação. Para ele, o aviso prévio pode salvar o indivíduo do desabamento, mas não impede a destruição da infraestrutura, o que resultaria em uma crise humanitária de refugiados internos. A solução real reside na engenharia civil, com o reforço de edifícios para que resistam aos abalos, minimizando o impacto socioeconômico.
A responsabilidade governamental e o direito à segurança
Um dos pontos centrais discutidos no evento foi o papel do Estado na garantia da segurança sísmica. O Dr. Durgesh C. Rai, do IIT Kanpur, argumenta que a resistência a terremotos não deve ser um luxo ou uma opção, mas um direito básico de todos os cidadãos, independentemente da classe social. Ele criticou a postura de culpar a pobreza pelas fatalidades, lembrando que mesmo prédios públicos financiados pelo governo em áreas de risco não têm seguido as normas técnicas básicas. A proposta é que a segurança sísmica se torne um padrão obrigatório na construção civil, comparável à esterilização de equipamentos médicos: uma norma ética e técnica inegociável.
A história recente da Índia é marcada por tragédias que poderiam ter sido evitadas, como os terremotos de Latur (1993) e Bhuj (2001). Em ambos os casos, a perda massiva de vidas foi atribuída a projetos mal planejados e ao desrespeito flagrante aos códigos de construção. O workshop destacou a ironia de que muitas edificações antigas no Himalaia permanecem de pé após décadas, sugerindo que o conhecimento para construir com segurança já existe, mas está sendo ignorado nas obras modernas. Para os pesquisadores, a ciência já cumpriu seu papel de identificar o risco; agora, cabe ao poder público e à sociedade civil exigir a aplicação rigorosa da engenharia para evitar que o próximo grande tremor se transforme em uma catástrofe evitável.