Oposição se une para derrubar MP do diesel editada pelo governo Lula

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Parlamentares da ala oposicionista iniciaram uma movimentação estratégica para tentar derrubar, no Congresso Nacional, a medida provisória (MP) editada pelo governo Lula em 12 de março. O texto original da proposta tem como objetivo central a estabilização da produção e importação de diesel no país, mas a articulação política busca travar o avanço da medida sob o argumento de que ela traz prejuízos estruturais ao setor energético.

De acordo com informações obtidas pela coluna R7 Planalto, o deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ) é apontado como a principal liderança à frente desse movimento. O foco da resistência deve se concentrar na Comissão de Minas e Energia da Câmara, onde parlamentares aliados já desenham uma estratégia para barrar os tópicos considerados mais controversos da proposta governamental.

O impasse sobre as alíquotas de exportação

O ponto de maior atrito entre os parlamentares e o Poder Executivo reside na carga tributária inserida no texto da MP. A oposição contesta veementemente a alíquota de 12% incidente sobre a exportação de petróleo bruto, além da previsão de uma taxação que pode atingir o patamar de 50% para o diesel exportado.

Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que a gestão atual estaria promovendo uma “mistura” contraditória entre redução e aumento de tributos. Na visão desses críticos, essa engenharia fiscal não se traduziria em uma redução real e efetiva no preço final pago pelo consumidor nos postos de combustíveis, esvaziando o argumento de alívio econômico sustentado pelo governo.

Riscos à competitividade e arrecadação

Nos bastidores do Legislativo, prevalece a leitura de que a medida possui um viés essencialmente arrecadatório para equilibrar as contas públicas. Parlamentares argumentam que o aumento da pressão fiscal pode comprometer seriamente a competitividade das empresas brasileiras no mercado externo.

A preocupação é amplificada pelo atual cenário de instabilidade geopolítica, marcado pelos conflitos no Oriente Médio, que já gera uma pressão natural sobre a oferta global de petróleo. Para os opositores, taxar a exportação neste momento seria um erro estratégico que fragiliza a posição do Brasil frente ao mercado internacional.

Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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