“Voltaremos a lançar bombas”: Trump ameaça pulverizar acordo e atacar o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra o governo de Teerã e alertou que o país poderá retomar as ações militares caso os iranianos não cumpram com as expectativas americanas. A declaração foi feita a apenas dois dias da assinatura programada de um memorando de entendimento entre as duas nações, sinalizando que a aproximação diplomática ainda está cercada de forte ceticismo por parte de Washington.
Durante uma coletiva de imprensa realizada ao lado do presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, com quem manteve um encontro bilateral, Trump fez questão de minimizar o caráter permanente do documento que está prestes a ser chancelado. O mandatário americano enfatizou que o pacto não representa um desfecho definitivo, mas sim um compromisso inicial que pode ser revisto a qualquer momento.
Ameaça de força e o fator Soleimani
De forma direta, o presidente americano condicionou a manutenção da paz ao comportamento das autoridades iranianas. Trump afirmou que, caso os termos não o agradem ou se houver qualquer desvio de conduta por parte de Teerã, os Estados Unidos não hesitarão em recorrer novamente ao uso de força aérea e bombardeios. Na ocasião, ele também criticou duramente o histórico de Washington com o Irã, alegando que o país persa agiu de forma inadequada nas últimas quatro décadas.
Ao puxar para si o crédito pelo avanço das negociações atuais, Trump destacou que a postura de dominância dos Estados Unidos é fruto de suas decisões estratégicas passadas. Ele relembrou especificamente a ordem para a eliminação do general iraniano Qasem Soleimani, ocorrida em janeiro de 2020. Segundo o republicano, aquele ataque cirúrgico e o subsequente bloqueio militar e econômico — que ele classificou como totalmente eficaz para asfixiar as forças iranianas — foram os verdadeiros responsáveis por forçar Teerã a sentar-se à mesa de negociações.
Próximos passos na Suíça
Apesar das declarações belicosas, o cronograma diplomático segue mantido. No último domingo, tanto Washington quanto Teerã confirmaram que os termos do memorando de entendimento foram concluídos após semanas de intensas e incertas conversações nos bastidores. A cerimônia oficial de assinatura está agendada para ocorrer nesta sexta-feira, 19 de junho, em território suíço.
Embora o teor completo do acordo permaneça sob sigilo oficial, as diretrizes gerais do documento começaram a vir a público. Informações preliminares indicam que o consenso foi alcançado por meio de concessões mútuas, cujos detalhes foram parcialmente antecipados por declarações de autoridades de ambos os lados e por vazamentos na imprensa internacional.