Trump endurece discurso contra Lula e dispara: ‘Não estou nem aí para ele’ após atrito no G7
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra o mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ao classificá-lo como uma pessoa “muito volátil” e afirmar que “não está nem aí” para o líder do Brasil. As declarações foram dadas em entrevista ao site norte-americano Axios, divulgada nesta sexta-feira (19), e consolidam o distanciamento recente entre Washington e Brasília. A relação bilateral tem sido tensionada por medidas duras da Casa Branca, como a imposição de um novo “tarifaço” contra produtos brasileiros e a classificação das facções PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas.
Ao ser questionado diretamente se era um admirador de Lula, Trump rechaçou a ideia e preferiu demonstrar indiferença em relação ao homólogo brasileiro. O republicano argumentou que não costuma pensar no líder sul-americano e que “não poderia se importar menos” com sua figura. Apesar do desdém, Trump pontuou que o comportamento de Lula mudou, citando como exemplo um discurso recente do brasileiro, o qual descreveu como excessivamente volátil.
A transcrição completa da entrevista ao Axios
Para contextualizar a visão de Trump sobre a liderança global e o Brasil, o site Axios registrou na íntegra o diálogo com o presidente norte-americano, no qual ele compara Lula a outros chefes de Estado:
Entrevistador: Você tem experiência, obviamente, com líderes mundiais ao longo de seus dois mandatos. Qual é a sua definição de um grande líder? Como o define?
Trump: Bem, existem muitos tipos diferentes de líderes. Ontem, por exemplo, vou mencionar esse nome novamente porque ele é bastante notável. Sabe, durante toda a minha vida acompanhei a Índia. Eles continuavam mudando de líder, mudando, mudando. Alguém ficava seis meses, depois um ano. E então, de repente, o primeiro-ministro Modi chegou ao cargo. Ele está lá há mais de 12 anos, muito sólido. E ele faz isso com uma grande serenidade, embora não seja uma pessoa calma. É um sujeito muito duro. Eu o conheço muito bem. E há líderes muito diferentes entre si. Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil.
Entrevistador: Você não é fã de Lula, se não me engano.
Trump: Não se trata de ser fã ou não ser fã. Para ser sincero, eu não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem. Existem todos os tipos de pessoas. Então, quando você fala de líderes, quando pergunta o que todos eles têm em comum, veja: todos são inteligentes. Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi, da China. Ele é um homem muito inteligente. Você não alcança esses níveis, governando um país — mesmo que seja um país pequeno — sem ter algo especial. Em alguns casos, as coisas não dão certo, mas é preciso ter algo especial. Não é uma tarefa fácil.
Reflexos do G7 e o “país politicamente complicado“
O mal-estar público entre os dois mandatários ganha força poucos dias após um breve encontro na cúpula do G7 em Evian, na França. Na ocasião, Trump confirmou ter conversado com Lula, mas preferiu manter o teor do diálogo em sigilo, limitando-se a classificar o Brasil como um “país politicamente complicado”. Por outro lado, Lula adotou uma postura de aparente distanciamento estratégico logo após o evento, declarando que não havia solicitado uma reunião bilateral com o norte-americano porque os dois países ainda se encontram em fase de negociações diplomáticas.
A reação do governo brasileiro não demorou a acontecer. Questionado sobre os comentários depreciativos feitos por Trump, o presidente Lula rebateu as críticas de forma irônica e sugeriu que o líder dos Estados Unidos deveria observar a maturidade democrática do Brasil. O petista afirmou que o republicano precisa “aprender com as eleições civilizadas” que ocorrem em território brasileiro e enfatizou que o chefe da Casa Branca não deve se meter no processo eleitoral do país.
Em tom de provocação, Lula concluiu dizendo que, em uma próxima oportunidade ou encontro oficial, pretende levar uma urna eletrônica para apresentar ao presidente norte-americano. O objetivo, segundo o líder brasileiro, seria demonstrar o funcionamento e a eficiência do sistema de votação do Brasil, respondendo diretamente ao tom agressivo adotado por Trump na entrevista.