Terremoto nas Filipinas: mortos aumentam, desalojados passam de 30 mil e costa do México sofre abalo incomum é sentido em Cuba e na Flórida

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Equipes de resgate reviraram prédios destruídos no sul das Filipinas nesta terça-feira para garantir que ninguém continuasse preso, um dia após um dos terremotos mais fortes a atingir o país em meio século matar pelo menos 41 pessoas e desalojar mais de 32.000.

Apenas quatro pessoas eram consideradas desaparecidas nos registros oficiais nas províncias do sul, perto de onde o terremoto de magnitude 7,8 ocorreu na manhã de segunda-feira. No entanto, o Escritório de Defesa Civil reconheceu que vários edifícios desabados e fortemente danificados devem ser minuciosamente inspecionados em busca de possíveis sobreviventes ou vítimas.

O terremoto, com epicentro próximo a Mindanao — a segunda ilha mais populosa das Filipinas —, feriu quase 500 pessoas e desalojou mais de 32.000, a maioria das quais fugiu para abrigos de emergência.

Medo de tsunami e destruição

Muitas pessoas que deixaram suas casas temiam um tsunami. Ondas de até 1,4 metro acima do nível da maré foram registradas nas Filipinas, mas o único dano por tsunami relatado foi em seis palafitas em uma vila costeira. Ondas menores atingiram a costa na Indonésia, em Palau e até no sul do Japão.

O terremoto deixou um rastro de destruição, inclusive em General Santos, uma vibrante cidade costeira com mais de 700.000 habitantes, conhecida como a capital do atum do país. Lá, pelo menos 13 pessoas morreram em prédios que desabaram ou devido à queda de escombros.

Pelo menos 18 pessoas morreram na província de Sarangani, a maioria em um deslizamento de terra que soterrou casas na cidade montanhosa de Glan, de acordo com Rafaelito Alejandro, do Escritório de Defesa Civil.

As outras mortes foram registradas nas províncias do sul de South Cotabato e Davao Occidental, e na Ilha Balut, informaram autoridades de resposta a desastres.

Impacto nas escolas e infraestrutura

Cerca de 6.000 prédios de escolas públicas nas províncias afetadas pelo terremoto devem ser avaliados antes que as aulas possam ser retomadas. O sismo ocorreu no primeiro dia de aulas em todo o país, após as férias de verão de dois meses. Muitas das pessoas que sofreram ferimentos eram estudantes jovens que se reuniram entusiasmados para as cerimônias de hasteamento da bandeira pela manhã.

As autoridades alertaram que edifícios que sofreram rachaduras podem desabar devido aos tremores secundários (aftershocks), alguns deles perigosamente poderosos.

“Não podemos forçar a reabertura imediata das escolas porque temos de garantir a integridade dos edifícios”, disse Alejandro.

O terremoto de segunda-feira teve epicentro no mar, a uma profundidade de 33 quilômetros, cerca de 32 quilômetros a sudoeste da cidade de Maasim, na província de Sarangani.

O tremor foi desencadeado pelo movimento na Fossa de Cotabato e foi o mais forte desde que a mesma depressão submarina provocou um terremoto de magnitude 8,1 que gerou ondas de tsunami em 17 de agosto de 1976, disse Teresito Bacolcol, diretor do Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia.

Cerca de 8.000 pessoas morreram naquele terremoto e com as ondas de tsunami de até 8 a 10 metros que engoliram várias cidades e províncias, disse Bacolcol. O instituto sismológico filipino estava programado para comemorar o aniversário do terremoto e tsunami de 1976 em agosto, instalando marcos para lembrar as cidades vulneráveis sobre a necessidade de vigilância constante, disse Bacolcol à Associated Press.

Um terremoto em 1990, que também teve magnitude de 7,8, deixou mais de 1.000 mortos, feriu milhares e causou extensos danos em províncias e cidades do norte.

O presidente Ferdinand Marcos Jr. enviou as principais autoridades de mitigação de defesa de Manila para ajudar a instruir e supervisionar as buscas e resgates, a distribuição de dezenas de milhares de pacotes de alimentos e materiais de construção para as vítimas do terremoto, além de avaliar os danos em pontes, estradas e outras infraestruturas.

Os Estados Unidos, um aliado de tratado das Filipinas, disseram que estavam se coordenando com Manila e prontos para apoiar os esforços de resposta filipinos. França, Japão e Nova Zelândia também expressaram apoio.

As Filipinas são frequentemente atingidas por terremotos e erupções vulcânicas devido à sua localização no “Anel de Fogo” do Pacífico, um arco de falhas sísmicas ao redor do oceano. O arquipélago também é castigado por cerca de 20 tufões e tempestades tropicais a cada ano, tornando-o um dos países mais propensos a desastres no mundo.

Atividade sísmica incomum no Golfo do México

Em outro evento na segunda-feira, um terremoto de magnitude 6,1 atingiu a costa de Cuba, no Golfo do México, gerando “relatos de tremores em todo o sudoeste da Flórida”, de acordo com uma publicação nas redes sociais do escritório do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) em Miami.

O terremoto ocorreu a 104 quilômetros (cerca de 65 milhas) a noroeste de Mântua, Cuba, segundo Robert Garcia, meteorologista de coordenação de alertas do NWS em Miami. O tremor aconteceu por volta das 14h (horário de Brasília) e a uma profundidade de 26 quilômetros (cerca de 16 milhas). “Não recebemos relatos de danos no sul da Flórida”, afirmou Garcia. Também foi confirmado que não há risco de tsunami decorrente deste terremoto.

Um fenômeno raro no interior da placa

Jeff Berardelli, meteorologista-chefe de uma afiliada da NBC em Tampa, Flórida, publicou no Bluesky que o tremor foi um dos maiores da história do Golfo do México. Um terremoto de magnitude 6,4 ocorrido em 1959 perto de Veracruz, no México, é provavelmente o terremoto “mais forte conhecido” já registrado na região do Golfo.

O evento é considerado “estranho” por especialistas porque ocorreu no interior de uma placa tectônica, e não na borda — o que é raro, embora não inédito.

“Este terremoto ocorreu em um local um tanto incomum e foi bastante grande”, diz Wendy Bohon, geóloga independente especializada em terremotos, acrescentando que nenhum tremor com magnitude superior a 5,0 havia sido registrado em um raio de 250 quilômetros desse epicentro.

Assim como o “Anel de Fogo” no Pacífico, o Caribe tem seu próprio “anel” menor de atividade sísmica, explicou Susan Hough, sismóloga do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Essa fronteira ativa gerou, por exemplo, o devastador terremoto de 2010 no Haiti. No entanto, o terremoto de segunda-feira ocorreu longe dessa fronteira tradicional, um fator que, segundo Hough, deve justificar uma investigação mais aprofundada por parte da comunidade científica.

 (Fotos: Edilson Rodrigues/Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR)

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