‘Indução de entrevistados’: TSE analisa decisão de Nunes Marques que suspendeu pesquisa após pedido de Flávio Bolsonaro
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga, nesta terça-feira, a determinação do presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel. O levantamento em questão apontava uma perda de capital político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a repercussão de áudios em que o parlamentar cobra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Nos bastidores da Corte, a expectativa de interlocutores é que a decisão individual do presidente seja referendada pela maioria dos magistrados.
A tendência de manutenção do veto reflete o alinhamento da atual composição do tribunal. O julgamento será acompanhado de perto pelos ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antônio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cuêva, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha, além do próprio Nunes Marques. Para além do caso específico, analistas políticos e integrantes do STF e do TSE enxergam este julgamento como um termômetro crucial, que servirá de sinalização para os partidos sobre o rigor e a postura da Justiça Eleitoral durante as próximas campanhas.
Os argumentos jurídicos e os questionamentos à metodologia
A suspensão atendeu a um pedido da defesa do Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro. Ao conceder a liminar, Nunes Marques argumentou que o questionário aplicado pela AtlasIntel poderia atuar como um indutor de respostas, comprometendo a neutralidade exigida nesse tipo de amostragem. O magistrado destacou que, ao examinar a sequência das perguntas, identificou estímulos que, em análise preliminar, extrapolavam a mera aferição da opinião pública, podendo influenciar diretamente os dados de intenção de voto, rejeição e imagem do pré-candidato.
Um dos pontos centrais da contestação foi o uso do áudio envolvendo o senador e os repasses financeiros para a produção audiovisual ligada ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente do TSE ressaltou que outras 27 pesquisas registradas pelo mesmo instituto não adotaram procedimentos semelhantes. Na visão do ministro, manter a circulação de um levantamento com Higidez metodológica questionada poderia causar danos de difícil reversão no cenário eleitoral, dada a rapidez com que esses conteúdos se espalham nas redes sociais e na imprensa.
A defesa do instituto e o cenário das pesquisas
Por outro lado, o instituto AtlasIntel e seu CEO, Andrei Roman, defendem a integridade do levantamento. Em nota oficial, a empresa assegurou que o questionário principal foi aplicado sem que os entrevistados fossem expostos ao áudio antes de responderem sobre suas intenções de voto. Segundo a instituição, o material complementar só foi apresentado após a coleta dos dados principais, o que anularia qualquer efeito de indução.
A defesa da consultoria também ponderou que o desgaste político sofrido pelo parlamentar fluminense não é um fenômeno isolado de seu levantamento. A AtlasIntel reforçou que pesquisas subsequentes coordenadas por outros institutos de prestígio, como Quaest e Datafolha, identificaram a mesma tendência de oscilação negativa e o mesmo padrão de impacto na imagem pública de Flávio Bolsonaro após o episódio.