Terremoto é sentido em múltiplas cidades da Venezuela, até mesmo em Caracas, e número de mortos segue em alta

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Um novo sismo, de magnitude 3,9, foi detectado nesta sexta-feira na Venezuela. De acordo com a Fundação Venezuelana de Pesquisa Sismológica (Funvisis), o epicentro localizou-se a 10 quilômetros a nordeste da paróquia de Naiguatá, no estado de La Guaira. O fenômeno causou apreensão na população, sendo sentido com nitidez em Caracas e em diversas comunidades da região central, a mesma que foi severamente impactada pelo duplo terremoto ocorrido no mês passado.

Balanço do desastre e a situação dos desabrigados

O governo venezuelano atualizou, na véspera do novo tremor, o saldo trágico dos eventos sísmicos de 24 de junho. O número de mortes confirmadas subiu para 3.889, enquanto a contagem de feridos atingiu 16.740 pessoas. Além disso, o impacto estrutural forçou o deslocamento de 17.907 cidadãos, que agora dependem de auxílio em abrigos temporários.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) manifestou profunda preocupação com o cenário atual. Segundo o diretor da instituição, Jarbas Barbosa, os riscos à saúde pública expandiram-se para além dos traumas físicos diretos. A interrupção prolongada de serviços básicos, a superlotação nos locais de acolhimento e as deficiências graves no abastecimento de água e saneamento criam um ambiente propício para a disseminação de doenças respiratórias e digestivas, além de comprometerem a continuidade de vacinações e tratamentos de rotina.

Desafios médicos e o apelo por recursos

Equipes de saúde locais que atuam em áreas como Catia La Mar já detectaram um aumento preocupante na incidência de problemas de pele e diarreia. Soma-se a isso uma demanda reprimida por medicamentos voltados a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, agravada pela precariedade de infraestrutura que muitas comunidades já enfrentavam antes mesmo da tragédia.

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Diante da complexidade da situação, as Nações Unidas lançaram um apelo internacional em busca de 300 milhões de dólares para socorrer cerca de 1,3 milhão de pessoas em situação de vulnerabilidade urgente. Tom Fletcher, chefe de ajuda humanitária da ONU, ressaltou em visita ao país que a crise evoluiu para uma necessidade de suporte médico de longo prazo, superando o foco inicial em atendimentos de emergência por fraturas.

Um ponto de inflexão notado desde o desastre é a relação entre o governo e a sociedade civil. Historicamente marcadas por repressão e suspeitas mútuas — que incluíram o fechamento de escritórios de direitos humanos da ONU e acusações contra organizações não governamentais (ONGs) —, as interações têm demonstrado maior abertura.

Atualmente, grupos locais e organizações humanitárias globais têm colaborado de forma mais estreita com os órgãos governamentais para otimizar a distribuição de recursos e o atendimento às vítimas. Fletcher observou que, diante de uma emergência desta magnitude, tem prevalecido o esforço conjunto voltado à preservação de vidas, suspendendo, temporariamente, as tensões políticas que dominavam o cenário anteriormente.

Foto: AP

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