Terceira Guerra? França entra em “economia de guerra” e aumenta arsenal de mísseis em 400%

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Em uma resposta direta à instabilidade global, a França planeja um aumento drástico em seu poder de fogo. De acordo com o novo projeto de lei de planejamento militar, o governo francês pretende elevar seus estoques de mísseis e drones em até 400% até 2030. A medida, detalhada em um documento de 64 páginas, reflete as lições aprendidas nos conflitos recentes na Ucrânia e no Oriente Médio, onde o consumo acelerado de munições em guerras de alta intensidade expôs a vulnerabilidade dos arsenais europeus.

Investimento bilionário e “economia de guerra”

O plano financeiro plurianual, que será apresentado formalmente ao parlamento em 8 de abril, prevê um investimento de € 8,5 bilhões exclusivamente para o desenvolvimento e aquisição de drones e mísseis. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reforçou a urgência da medida diante dos temores de um possível confronto com a Rússia antes do fim da década. O projeto institucionaliza o conceito de “economia de guerra”, buscando não apenas a compra de armamentos, mas a adaptação completa da infraestrutura industrial francesa para suportar uma produção em massa e acelerada.

Os números projetados pelo governo são robustos: além da quadruplicação dos drones kamikaze, Paris quer elevar em 240% os estoques de bombas guiadas AASM Hammer e em 30% a disponibilidade de mísseis Aster e Mica. Este movimento é impulsionado por um contexto de incerteza sobre o papel dos Estados Unidos na OTAN após a reeleição de Donald Trump, o que tem forçado as potências europeias a garantirem sua própria segurança. O orçamento de defesa francês deve saltar dos atuais patamares para € 76,3 bilhões anuais até 2030.

Atritos industriais e a revisão de grandes projetos

Apesar da ambição do plano, a implementação enfrenta desafios internos. Existe um impasse entre o Estado e a indústria bélica: enquanto o governo exige investimentos prévios em linhas de produção, fabricantes como a MBDA cobram garantias de encomendas de longo prazo para expandir suas fábricas. Paralelamente, o novo documento revela mudanças estratégicas drásticas. A França optou por não expandir o número de caças Rafale ou fragatas, e parece ter abandonado o projeto multinacional Eurodrone, que enfrentava sucessivos atrasos em parceria com Alemanha, Itália e Espanha.

Outro ponto crucial do projeto é a busca por um substituto para o tanque Leclerc. Pela primeira vez, Paris admite publicamente a possibilidade de atrasos no Main Ground Combat System (MGCS), o “tanque do futuro” desenvolvido em parceria com a Alemanha. Diante do risco de uma lacuna operacional no final da próxima década, o governo iniciará estudos para uma solução provisória. Embora o planejamento atual se estenda até 2030, a política de defesa francesa goza de um raro consenso entre diferentes espectros políticos, garantindo que o fortalecimento militar continue sendo prioridade independentemente do resultado das eleições presidenciais de 2027.

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