Tensão em alta: Irã ataca aliados dos EUA no Bahrein e Jordânia sob bombardeios constantes

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A tensão no Oriente Médio atingiu um novo ápice nesta terça-feira, com o terceiro dia consecutivo de hostilidades diretas entre forças americanas e iranianas. O cenário de confronto foi agravado pela declaração de Donald Trump, que defendeu que os Estados Unidos assumam o controle do Estreito de Ormuz, instituindo a cobrança de um “pedágio” de até 20% sobre o valor da carga de navios para garantir sua segurança, uma medida que rompe com as normas históricas de liberdade de navegação defendidas por Washington.

As Forças Armadas dos EUA relataram uma operação militar de cinco horas na madrugada de terça-feira, atingindo alvos estratégicos em cidades iranianas, como Bushehr e Bandar Abbas, com o objetivo declarado de reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações comerciais. Em resposta, o regime iraniano retaliou com ataques direcionados a ativos estratégicos dos EUA no Bahrein e na Jordânia, além de atingir dois petroleiros associados aos Emirados Árabes Unidos. Autoridades do Bahrein e da Jordânia confirmaram a interceptação de mísseis, com Manama acusando o Irã de colocar civis em risco.

Um incêndio consome o porto da ilha de Kish, no Irã, em imagem extraída de um vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira. Fotografia: Reuters
Impacto na segurança e na economia regional

O ciclo de violência ameaça inviabilizar o memorando de entendimento que visava a reabertura do Estreito de Ormuz, hidrovia essencial para o comércio global que se encontra efetivamente fechada devido ao conflito prolongado entre as duas nações. Analistas apontam que a promessa dos EUA de forçar a reabertura da rota poderia exigir uma mobilização militar massiva. Em meio ao caos, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação emitiu um alerta recomendando que companhias aéreas evitem o espaço aéreo de diversas nações do Golfo, citando riscos imprevisíveis para o tráfego civil.

As repercussões diplomáticas também se intensificam. A Índia formalizou um protesto contra o Irã após a morte de um marinheiro indiano e ferimentos em outros dez tripulantes durante os ataques aos navios-tanque. Enquanto isso, o preço do petróleo reagiu à instabilidade, saltando para US$ 86 por barril. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reforçou a postura de confronto, afirmando que o país manterá a soberania sobre o estreito e classificando a proposta de cobrança de taxas de Trump como desproporcional.

Paralelo diplomático: Negociações entre Israel e Líbano

Enquanto a crise no Golfo se desenrola, delegações de Israel e do Líbano iniciaram rodadas de negociação em Roma sob mediação americana. O diálogo busca avançar na implementação de um “acordo-quadro” que prevê a retirada gradual das tropas israelenses de zonas piloto no sul do Líbano e a substituição pelo exército libanês, com o compromisso de desmantelar a infraestrutura do Hezbollah.

Apesar dos esforços diplomáticos, o cenário é de grande incerteza. O governo libanês condicionou o progresso das conversas ao início imediato da retirada israelense, enquanto o Hezbollah, que permanece fora das negociações, rejeita os termos e classifica o processo como uma capitulação. A ausência de cooperação do grupo armado levanta dúvidas sobre a viabilidade prática de qualquer entendimento que venha a ser firmado em Roma.

Foto: AP

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