Rodovias do litoral de SP sofrem com congestionamento e filas de caminhões no 2º dia de greve
O Sistema Anchieta-Imigrantes enfrentou forte retenção de tráfego nesta terça-feira (14). Uma combinação de fluxo intenso de veículos pesados em direção aos pátios reguladores e manifestações de caminhoneiros autônomos gerou pontos de grande lentidão nas principais rodovias que ligam a Região Metropolitana de São Paulo ao litoral. Embora os órgãos oficiais ainda não tenham associado diretamente o congestionamento aos protestos iniciados no começo da semana, o cenário reflete o estado de alerta na região portuária.
Reflexos no tráfego e no transporte coletivo
A concessionária Ecovias registrou lentidão concentrada em trechos estratégicos das rodovias Anchieta e Cônego Domênico Rangoni, além da Interligação Planalto. Para mitigar o impacto, a concessionária acionou planos de contingência em conjunto com forças policiais e autoridades portuárias. Na tentativa de aliviar o gargalo, o Ecopatio disponibilizou vagas adicionais e operou com cerca de 60% de sua capacidade. O reflexo das retenções também afetou o transporte público intermunicipal em Cubatão, obrigando a operadora BR Mobilidade a desviar temporariamente o itinerário de diversas linhas de ônibus para evitar as áreas mais críticas do congestionamento.
A greve na Baixada Santista foi convocada pelo Sindicam-Santos em alinhamento com um movimento de caráter nacional. Lideranças sindicais apontam que mais de 4 mil motoristas autônomos aderiram à paralisação na região. Os manifestantes concentraram seus atos em pontos cruciais para o escoamento de cargas, como a Rua do Adubo, no Guarujá, e as proximidades do viaduto da Alemoa, em Santos. Apesar da forte presença da categoria nessas áreas, a Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos informou que o trânsito local foi monitorado por agentes e fluiu sem interrupções totais nas pistas.
O impasse político da MP do Frete
A principal motivação por trás do descontentamento da categoria é a Medida Provisória 1343, conhecida popularmente como a MP do Frete. O texto propõe alterações benéficas na Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Embora a matéria já tenha sido aprovada pela Câmara dos Deputados, ela corre o risco de perder a validade jurídica caso não seja votada e aprovada pelo Senado até o dia 16 de julho. Diante do prazo apertado de caducidade das MPs, lideranças nacionais como a Abrava utilizam as redes sociais para convocar paralisações em todo o país, buscando pressionar a presidência do Senado a pautar o projeto em caráter de urgência.