“Soberania inegociável”: Lula acusa família Bolsonaro de articular tarifas dos EUA contra o Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou suas redes sociais para criticar duramente a postura da família Bolsonaro em relação à política comercial e à soberania nacional. O petista afirmou de forma categórica que não existem justificativas aceitáveis para a imposição de novas taxas sobre as exportações brasileiras por parte dos Estados Unidos, independentemente de o cenário ser antes ou depois das eleições presidenciais norte-americanas.
A reação de Lula foi motivada por um documento enviado pelo senador Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Na manifestação, o parlamentar do PL argumentou que a aplicação imediata de tarifas de 25% contra produtos brasileiros poderia fortalecer o petista politicamente em pleno ano eleitoral. Diante disso, o senador solicitou formalmente ao governo de Donald Trump que a medida comercial fosse adiada por um período de 180 dias.
Acusações de entreguismo e traição
Para Lula, a própria possibilidade de o Brasil sofrer esse aumento de impostos alfandegários tem origem em articulações promovidas pela família do ex-presidente. Ele classificou como um absurdo o fato de a motivação inicial ter partido de aliados que defenderam publicamente barreiras contra os produtos nacionais. O presidente sublinhou que a tentativa de adiar o “tarifaço” para o período pós-eleitoral representa uma atitude de traidores da pátria, acusando o clã de tentar submeter o Brasil aos interesses de Washington por meio de uma postura entreguista.
Defesa do Mercosul e do PIX
Além da disputa tarifária, a publicação do petista rebateu as críticas de Flávio Bolsonaro ao Mercosul. O senador havia afirmado ao órgão americano que o Brasil tenta se libertar das amarras do bloco econômico, as quais, segundo ele, impediam negociações bilaterais com os Estados Unidos. Em resposta, Lula defendeu a importância do bloco para a América Latina, destacando o recente acordo firmado com a União Europeia e classificando o desejo de enfraquecer a parceria regional como mais um ataque aos interesses do povo brasileiro.
Por fim, o presidente estendeu o alerta para o setor financeiro, acusando o grupo político rival de planejar a entrega do sistema de pagamentos PIX a interesses estrangeiros. Lula assegurou que as investidas não terão sucesso, definindo a ferramenta como uma conquista nacional de utilidade pública. Ele encerrou o pronunciamento reforçando que a soberania do país é inegociável e que os ativos brasileiros não estão à venda.