Sinédrio emite edital pela revelação do Messias e exige reconstrução do Templo em decisão histórica
O Sinédrio recém-formado emitiu um edital formal solicitando intervenção divina para eliminar forças hostis ao povo judeu e à Terra de Israel. A decisão, tomada após longa deliberação, busca a revelação do Mashiach (Messias), a reconstrução do Beit HaMikdash (Templo Sagrado) e a restauração da profecia. Embora dois dos juízes tenham inicialmente se oposto à medida antes de integrarem a maioria, o tribunal ratificou o documento sob a prerrogativa de que uma autoridade rabínica possui legitimidade para emitir um psak (decisão haláchica vinculativa). Membros do órgão reconhecem que, apesar de o Sinédrio moderno não ter aceitação universal entre as autoridades rabínicas, suas decisões costumam gerar repercussões globais.
O texto da decisão e contexto histórico
A resolução do tribunal baseia-se em uma apresentação do Rabino Chaim Sasson referente a um pedido histórico atribuído ao Rebe de Lubavitch, Rabino Menachem Mendel Schneerson (1951-1994). Schneerson, figura central do movimento Chabad-Lubavitch com influência mundial, frequentemente incentivava rabinos a decretarem a vinda messiânica. O texto do Sinédrio também evoca decisões anteriores de antigos rabinos-chefes de Israel, como Mordechai Eliyahu e Yeshua Ben Shushan.
As determinações do tribunal dividem-se em três resoluções principais:
- Eliminação de ameaças: Solicita a remoção de elementos corruptores (erev rav), forças amalequitas, ismaelitas, traidores e influências malignas do convívio do povo judeu e de Israel.
- Revelação messiânica e do Templo: Apela pela manifestação do Reino dos Céus sobre Israel e o mundo, pedindo a revelação do Mashiach e a remoção de entraves para a reconstrução do Templo Sagrado.
- Restauração da profecia: Busca o retorno da visão profética à nação. Historicamente, conforme registros do Talmud e da Mishná, a profecia cessou após a era dos últimos profetas e a destruição do Primeiro Templo. Fontes rabínicas e os escritos de Maimônides (Rambam) indicam que a volta da profecia é parte integrante do próprio processo messiânico, e não um evento isolado.
O documento é encerrado reafirmando que decisões proferidas por tribunais terrenosa vinculam instâncias superiores, registrando ainda a bênção ao Rabino Yehoshua Friedman por seu retorno aos debates da corte.
Debates internos e perspectivas de membros
O Rabino Josh Wander, integrante do tribunal, revelou em entrevista que a proposta surgiu por iniciativa de um juiz ligado ao movimento Chabad. Wander expressou ressalvas quanto à aceleração do processo messiânico, ponderando que precipitar eventos espirituais pode resultar em sofrimento no curto prazo. Segundo sua análise, os acontecimentos de 7 de outubro serviram como um catalisador doloroso que levou o povo judeu ao arrependimento (teshuvá), ao mesmo tempo em que criticou a atual liderança política e militar de Israel por atuar sob forte influência externa.
Para ilustrar a condução gradativa dos eventos por Deus, Wander citou uma parábola atribuída ao Rabino Nachman, na qual uma pena severa é fracionada em pequenos fragmentos benignos para poupar o punido. Ele destacou que as resoluções funcionam em etapas sucessivas — priorizando a eliminação de opositores — e alertou que o período vindouro poderá apresentar grandes desafios.
Fundamentação teológica e precedentes tradicionais
A jurisprudência do Sinédrio em emitir decretos vinculativos ao Céu apoia-se em diversos textos e precedentes da tradição judaica:
- Princípio de Lo Bashamayim Hi (Não está no Céu): Baseado na passagem talmúdica do “Forno de Achnai” (Bava Metzia 59b), estabelece-se que a autoridade legal da Torá foi entregue aos tribunais humanos, conferindo aos sábios o poder de definir decisões legais.
- Fixação do calendário: Conforme relatado em Rosh Hashaná 25a, a declaração de um tribunal sobre a lua nova e as datas sagradas é soberana e aceita no Céu, mesmo quando baseada em testemunhos imperfeitos.
- Decretos de Justos (Tzaddikim): O relato de Honi HaMe’agel (Taanit 23a) e as tradições hassídicas — como as do Baal Shem Tov e de Levi Yitzchak de Berditchev — exemplificam a ideia de que os decretos de líderes virtuosos influenciam a vontade divina (tzaddik gozer, VeHaKadosh Baruch Hu mekayem). O modelo original dessa argumentação com o Divino remonta à intercessão de Abraão por Sodoma e Gomorra.
- Assimetria entre profecias de bem e de Mal: Respaldado por Jeremias (Jeremias 18:7-10) e codificado por Maimônides, o pensamento rabínico estabelece que pronunciamentos punitivos podem ser revogados pela misericórdia ou arrependimento, enquanto promessas de bênçãos não são anuladas sem uma transgressão explícita. Ao formular o edital focado exclusivamente em bênçãos e redenção, o Sinédrio buscou emitir um decreto irrevogável.