De olho em 40% do eleitorado, Flávio inicia maratona pelo Sudeste ao lado de Tarcísio e Nunes
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), inicia nesta quarta-feira (23) uma intensa agenda pelo Sudeste, após cumprir compromissos no Nordeste. A primeira parada ocorre em São Paulo para a gravação de conteúdos audiovisuais voltados às redes sociais. O material deve reunir, de forma inédita, o candidato ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), com potencial para ser veiculado também no horário eleitoral gratuito na televisão.
A presença das lideranças paulistas é tratada como ponto central na estratégia da campanha. Considerados os principais apoiadores do senador no estado, Tarcísio e Nunes ostentam boa aprovação no maior colégio eleitoral do país e têm liderado diversas agendas regionais em favor do liberal. Além disso, aliados do governador intensificam a mobilização para garantir atenção total à disputa na reta final do primeiro turno.
Maratona intensa nos estados do Sudeste
A rota pelo Sudeste prossegue na quinta-feira (24) em Minas Gerais. Na sexta-feira (25), o senador cumpre agenda no Rio de Janeiro antes de retornar a São Paulo, onde comparecerá ao rodeio de Jaguariúna — evento que também contou com a presença de Tarcísio na semana anterior. Nos dias seguintes, a equipe de campanha planeja repetir a sequência de viagens pelos três estados.
O percurso intensivo pela região já estava previsto no planejamento estratégico, dada a alta densidade demográfica. Somados, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram aproximadamente 40% de todo o eleitorado nacional.
Reação diante da oscilação nas pesquisas
A movimentação ganhou urgência após indicadores mostrarem retração na vantagem de Flávio na região. Conforme dados da pesquisa Quaest divulgados na segunda-feira (21), o senador oscilou de 47% para 43% das intenções de voto no Sudeste em relação ao levantamento do dia 14 de setembro. No mesmo período, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu de 31% para 36%, reduzindo a distância entre ambos de 16 para 7 pontos percentuais.
Por outro lado, a equipe do candidato avalia de forma positiva o desempenho das recentes viagens ao Nordeste, reduto histórico do atual presidente. Na simulação de segundo turno do mesmo levantamento Quaest, a margem favorável a Lula na região caiu: Flávio subiu de 28% para 31%, enquanto o petista recuou de 60% para 57%.
Apelo ao bolso e busca pelo voto útil
Na reta final da disputa, a campanha do PL deve priorizar o discurso voltado à economia e ao custo de vida. Embora a pauta de oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF) continue presente, assessores avaliam que temas ligados ao poder de compra e à inflação dos alimentos têm maior apelo para atrair o eleitor indeferido. A expectativa é que esse foco oriente os pronunciamentos públicos, inserções na TV e conteúdos digitais.
Paralelamente, a estratégia do voto útil ganha tração. A orientação interna é evitar confrontos diretos com outros nomes do campo da direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). A meta é consolidar Flávio como a alternativa mais viável para derrotar o projeto de reeleição do atual governo, antecipando a migração de votos que costuma ocorrer na etapa decisiva do pleito.