Provocação no Pacífico: visita inédita de Putin a ilhas disputadas revolta o Japão

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A primeira visita oficial do presidente russo, Vladimir Putin, ao arquipélago das Ilhas Curilas provocou uma forte reação diplomática em Tóquio. O governo japonês manifestou profunda indignação com a presença do líder russo no território disputado. Em resposta imediata, o ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, convocou o embaixador da Rússia no país, Nikolay Nozdrev. Paralelamente, a primeira-ministra Sanae Takaichi declarou publicamente que a postura de Moscou é totalmente inaceitável.

Denominadas Territórios do Norte pelos japoneses e Ilhas Curilas do Sul pelos russos, as ilhas foram tomadas pela União Soviética nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial, logo após a declaração de guerra soviética contra o Japão em agosto de 1945. Desde a ocupação do território, que fica próximo à ilha de Hokkaido, os dois países mantêm uma disputa soberana contínua. Essa divergência territorial histórica é o principal obstáculo que impediu as duas nações de assinarem um tratado de paz definitivo desde o fim do conflito mundial.

Posicionamento de Tóquio e repercussão do evento

A chefe do governo japonês reforçou à imprensa que a soberania sobre o arquipélago pertence ao Japão tanto por direitos históricos quanto pelo direito internacional, classificando a presença de Putin como incompatível com a posição oficial do país. Durante a viagem à ilha de Etorofu — chamada de Iturup pela Rússia —, a televisão estatal transmitiu o presidente russo visitando um hospital local, interagindo com moradores e conhecendo uma fábrica de processamento de caviar. A transmissão gerou duras críticas de antigos moradores japoneses que foram deportados na época da anexação soviética.

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Com o passar das décadas, a composição populacional do arquipélago mudou drasticamente: cerca de 17 mil residentes japoneses originais deram lugar a uma população atual de aproximadamente 20 mil cidadãos russos. O conjunto de ilhas, formado por Etorofu, Kunashiri, Shikotan e o agrupamento de Habomai, carrega um elevado valor geopolítico. Além de sua posição militar estratégica, a região oferece vasta riqueza mineral e acesso a zonas de pesca altamente produtivas.

Vladimir Putin experimenta produtos durante uma visita a um complexo de processamento de peixe em Etorofu, conhecido na Rússia como Iturup. Fotografia: Gavriil Grigorov/Pool Sputnik Kremlin/AP

Exercícios militares e o colapso das relações bilaterais

Antes do desembarque na ilha disputada, Putin esteve em Sakhalin para acompanhar exercícios navais e defendeu que o domínio russo sobre as quatro ilhas está amparado por documentos internacionais. Anos atrás, o falecido ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe havia alcançado avanços diplomáticos com o Kremlin, permitindo que famílias japonesas visitassem túmulos de parentes nas ilhas e abrindo caminho para negociações de paz. No entanto, o cenário mudou radicalmente após a invasão da Ucrânia em 2022, quando o Japão aderiu às sanções internacionais contra Moscou, congelando o diálogo entre os governos.

Troca de acusações e histórico de visitas

Em pronunciamento recente, o presidente russo lamentou o esfriamento das relações, classificando as sanções japonesas como injustificadas e argumentando que a Rússia não representa uma ameaça ao Japão, mas sim o contrário, devido às reivindicações territoriais de Tóquio. Embora esta tenha sido a primeira vez que Putin pisou no arquipélago, a presença de altas autoridades russas na região não é inédita: em 2010, Dmitry Medvedev já havia visitado a ilha de Kunashiri durante o seu mandato presidencial.

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

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