PGR pede depoimento de Flávio em investigação de calúnia contra Lula
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se, nesta segunda-feira (6), pela necessidade de que a Polícia Federal (PF) tome o depoimento do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. O parlamentar é alvo de uma investigação por suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em decorrência de uma publicação realizada em rede social no início de janeiro de 2026.
Em sua petição, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou que a oitiva é uma medida fundamental para o desfecho do caso, especialmente por oferecer ao investigado a possibilidade de retratação, o que, conforme previsto na legislação, poderia isentá-lo de penalidades. O órgão ministerial defendeu o retorno dos autos à Polícia Federal para a realização da diligência e solicitou nova vista do processo após a conclusão das investigações para apresentar sua manifestação definitiva.
Entenda a acusação da Polícia Federal
A Polícia Federal concluiu, no mês passado, que o senador cometeu o crime de calúnia ao atribuir falsamente a prática de delitos ao presidente Lula. Segundo relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a conduta do parlamentar se enquadra no artigo 138 do Código Penal, agravada pelas disposições do artigo 141, que tratam de crimes contra a honra cometidos contra o Presidente da República.
A investigação foi instaurada em abril de 2026 pelo ministro Alexandre de Moraes, atendendo a um pedido da própria PF com o aval da PGR. Após a conclusão do trabalho policial, que apontou indícios da prática delituosa, o ministro do STF enviou o relatório para análise da Procuradoria-Geral antes de decidir pelos próximos passos processuais.
O conteúdo da publicação sob investigação
O cerne da apuração gira em torno de uma postagem feita por Flávio Bolsonaro em 3 de janeiro de 2026. Na publicação, o senador associou a imagem de Lula ao presidente venezuelano Nicolás Maduro, alegando que o mandatário brasileiro seria alvo de uma delação. O texto do senador listava uma série de crimes, incluindo tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a grupos terroristas e ditaduras, além de fraudes eleitorais.
A Polícia Federal argumentou que, ao vincular a imagem de Lula a Maduro — na época recém-detido sob acusação de envolvimento com tráfico nos Estados Unidos — e listar tais delitos, o senador teria imputado falsamente crimes graves ao presidente brasileiro. Segundo a interpretação dos investigadores, o parlamentar insinuou que a suposta delação viria de Maduro e englobaria todo o rol de infrações citadas na postagem.