PF transfere a André Mendonça dados brutos de inquéritos sobre o INSS
Em um desfecho favorável ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça venceu o impasse travado com a Polícia Federal a respeito do acesso às investigações sobre os desvios no INSS. Há mais de uma semana, a corporação deu início ao envio dos dados brutos diretamente para o gabinete do magistrado. Devido à imensa quantidade de documentos acumulados nos inquéritos, o processo de transferência do material segue sendo realizado de forma gradual.
Conversas e dados bancários no centro dos inquéritos
O conjunto de documentos repassados inclui materiais de forte apelo político e investigativo. Entre eles estão as mensagens extraídas do telefone celular da lobista Roberta Luchsinger, figura próxima a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Luchsinger foi a personagem central da crise que culminou no afastamento de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, de suas funções na campanha à reeleição. Além do conteúdo telefônico, os dados bancários de Lulinha também integram o acervo sob análise do gabinete.
Desconfiança sobre vazamentos motivou ordem judicial
A determinação de André Mendonça para obter o material bruto e devidamente indexado — permitindo a realização de buscas diretas — desencadeou um clima de forte tensão com a Polícia Federal. O ministro agiu motivado pela suspeita de que agentes da corporação pudessem estar vazando informações sigilosas para o Palácio do Planalto, além de adotar uma postura leniente em determinadas frentes da apuração. Ao reter e analisar os dados, o magistrado buscou estabelecer uma forma de monitoramento direto sobre os passos da investigação.
A reação da cúpula da Polícia Federal foi imediata. O diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, juntamente com o alto comando, interpretou a medida de Mendonça como uma ingerência indevida na atuação policial. Diante disso, a corporação recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar a decisão nos tribunais. Contudo, na ausência de uma resposta formal do órgão e diante do peso das determinações do relator do caso no STF, a PF concluiu pela obrigatoriedade de cumprir integralmente a ordem judicial.