Operação contra o Ebola: Samu-RJ mobiliza ambulâncias exclusivas e ativa protocolo enquanto surto avança no Congo
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do Rio de Janeiro estruturou um plano de contingência focado no transporte seguro de pacientes com suspeita de Ebola. A iniciativa visa garantir um atendimento ágil e seguro para ocorrências de alta complexidade. Para isso, o estado montou uma logística que integra a Central de Regulação ao transporte inter-hospitalar, assegurando que todo o fluxo de monitoramento funcione de forma integrada.
Como parte dessa estratégia, duas ambulâncias foram posicionadas em pontos estratégicos do estado, sendo uma na região central e outra na Zona Oeste da capital. Esses veículos foram adaptados exclusivamente para essa finalidade, seguindo rigorosamente os protocolos internacionais de isolamento e segurança biológica.
Treinamento e biossegurança das equipes
Para operacionalizar o plano, as equipes do Samu-RJ passam por treinamentos intensivos de biossegurança ministrados por especialistas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sob a orientação do Ministério da Saúde. Os profissionais recebem instruções detalhadas sobre a preparação das viaturas e o manejo correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), com ênfase nos procedimentos de colocação e retirada segura das vestimentas. De acordo com a coordenação do órgão, um primeiro grupo já concluiu a capacitação, e o treinamento será estendido progressivamente aos demais socorristas.
Alerta global e monitoramento local
Embora o Ministério da Saúde reforce que o risco de transmissão da doença no Brasil permaneça baixo, as autoridades federais orientam que os estados mantenham suas estruturas prontas para diagnóstico e atendimento rápido. No Rio de Janeiro, o monitoramento de notificações suspeitas fica a cargo do Centro de Inteligência em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). O cenário exige atenção preventiva, visto que o panorama global aponta para um aumento de notificações monitoradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), saltando de seis casos globais em 2025 para 11 registros em 2026, entre alertas internacionais, casos descartados no eixo Rio-São Paulo e confirmações em Uganda e na República Democrática do Congo.
A eficácia do protocolo fluminense foi testada recentemente quando a SES-RJ isolou um paciente vindo de Uganda com sintomas suspeitos. A remoção até o Instituto Evandro Chagas foi realizada por uma das ambulâncias adaptadas do Samu. Após a realização de exames laboratoriais, a suspeita de Ebola foi formalmente descartada, e o paciente recebeu o diagnóstico de malária, sendo liberado do isolamento para seguir com o tratamento convencional.
Surto de Ebola no Congo já registra 82 mortes e mais de 450 casos confirmados
A República Democrática do Congo enfrenta uma rápida escalada no surto de Ebola, com o número de infectados saltando para 452 após o registro de 71 novos casos em apenas 24 horas. De acordo com o balanço oficial divulgado pelo governo nesta sexta-feira, a epidemia já causou 82 mortes. As autoridades locais emitiram um alerta sobre a existência de uma transmissão comunitária veloz e contínua, o que confirma que o vírus segue se espalhando ativamente entre a população.
Diante do avanço crítico da doença, a comunidade internacional acelerou as ações de resposta. Em uma iniciativa conjunta, a Organização Mundial da Saúde e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África anunciaram um fundo de emergência de 518 milhões de dólares — o equivalente a cerca de 2,6 bilhões de reais — para financiar o combate à epidemia no período de junho a novembro. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que os recursos serão direcionados a pilares essenciais, como vigilância, testes laboratoriais, assistência médica e mobilização comunitária.
Embora o surto tenha sido oficializado em 15 de maio no nordeste do país, especialistas em saúde pública suspeitam que a rara variante Bundibugyo do vírus já circulava pela região de forma silenciosa há algum tempo. O impacto atual já é severo o suficiente para superar, em volume de infectados, os dois episódios históricos anteriores causados por essa mesma cepa, ocorridos nos anos de 2007 e 2012.
Até o momento, a doença já se ramificou por três províncias congolesas, tendo a região de Ituri como o grande epicentro da crise sanitária, concentrando aproximadamente 90% dos diagnósticos positivos e 76% dos óbitos. A preocupação se estende também para além das fronteiras da República Democrática do Congo, uma vez que o vizinho Uganda já detectou 16 casos confirmados e uma morte decorrente do vírus.