Onda de ataques russos atinge centro de ajuda e deixa dezenas de mortos e destruição no Sul da Ucrânia

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Uma nova ofensiva de grandes proporções atingiu a Ucrânia, resultando na morte de pelo menos 31 pessoas e deixando dezenas de desaparecidos no sul do país. O episódio mais letal ocorreu na vila de Komyshuvakha, localizada na região de Zaporizhzhia, onde uma bomba guiada destruiu um prédio escolar utilizado como centro de distribuição de suprimentos e, em seguida, atingiu um abrigo próximo. Segundo autoridades locais, entre as vítimas fatais estão quatro policiais e dois socorristas. Equipes de resgate trabalharam durante a noite entre os escombros sob forte risco, uma vez que novos ataques com drones russos continuaram a visar a área bombardeada para dificultar as operações de socorro.

Além da tragédia em Zaporizhzhia, o bombardeio maciço — composto por quase 300 drones e dezenas de mísseis — causou severos danos à infraestrutura do país. Usinas de energia foram atingidas em nove regiões, provocando cortes emergenciais de eletricidade em larga escala. No nordeste, na cidade de Kharkiv, uma combinação de mísseis e drones danificou instalações médicas e prédios residenciais, ferindo mais de 60 pessoas e forçando a transferência urgente de centenas de pacientes hospitalares.

Críticas de Zelensky e impacto sobre cessar-fogo

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, repudiou a escalada da violência e afirmou que as forças russas tinham pleno conhecimento de que civis se reuniam semanalmente no local atingido em Zaporizhzhia para receber assistência humanitária. O líder ucraniano destacou que a ofensiva ocorreu logo após o término de uma breve trégua local na cidade ocupada de Oleshky, mostrando a indisposição de Moscou em manter medidas humanitárias duradouras. Zelenskyy também alertou que o Kremlin se aproveita do momento em que a atenção política dos Estados Unidos está voltada para suas eleições internas para intensificar o terror contra a população.

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Por parte de Moscou, a posição permanece inflexível. Apesar do cessar-fogo pontual em Oleshky ter permitido a evacuação de moradores — marcando uma das maiores pausas nos combates ao longo dos anos de conflito —, o Kremlin declarou que nenhuma outra ação de trégua semelhante está prevista para o momento.

Negociações em Abu Dhabi e movimentações diplomáticas

Apesar da intensificação dos combates em solo, negociações mediadas pelos Estados Unidos continuam no horizonte. Uma nova rodada de conversas entre as delegações da Rússia e da Ucrânia foi agendada para os próximos dias em Abu Dhabi. A equipe russa será chefiada por Vladimir Medinsky, figura histórica das negociações de Moscou, cuja nomeação gera ceticismo entre analistas ucranianos devido às suas posições alinhadas às narrativas ideológicas que justificaram o início da invasão.

Paralelamente aos preparativos diplomáticos no Oriente Médio, Zelenskyy cumpriu agenda em Berlim para reuniões com o governo alemão e participação na Conferência de Segurança local. A visita reflete a mudança no cenário europeu de apoio militar, com a Alemanha assumindo o posto de principal fornecedora de ajuda à defesa ucraniana em meio à oscilação do suporte vindo de Washington.

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