Irã ameaça destruir infraestrutura digital e petrolífera no Golfo diante de novo ataque dos EUA
A tensão militar no Oriente Médio atingiu um nível crítico após Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, alertar que o país retaliará com força máxima em caso de uma nova ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel. Segundo declarações divulgadas pela mídia iraniana, Teerã elaborou um plano abrangente que prevê ataques a instalações petrolíferas, centros de dados, infraestruturas de inteligência artificial e cabos submarinos espalhados por até sete países do Golfo Pérsico. O governo iraniano defende que não aceitará acordos enquanto a arquitetura econômica que viabiliza as agressões contra sua infraestrutura permanecer intocada. A capacidade operacional do Irã para executar essas ameaças — aliada ao eventual suporte indireto de potências como Rússia e China — tornou-se o fator decisivo nas análises de Washington sobre a retomada das hostilidades.
Paralelamente às ameaças, relatos da imprensa norte-americana indicam que conselheiros militares dos EUA já elaboraram uma lista detalhada de alvos contra o Irã, contemplando instalações de mísseis, poços de petróleo e complexos nucleares. A previsão é que as forças americanas concluam um grande reforço militar na região até o início de novembro, posicionando três porta-aviões, milhares de fuzileiros navais, caças e tropas de operações especiais. Esse movimento coincide com o alinhamento político entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que se reuniram em Israel para discutir o cronograma do ataque e os impactos políticos da ação, contexto em que o líder israelense teria sinalizado preferência por uma provocação inicial partida de Teerã.
Manobras militares e impactos rápidos no mercado de energia
A demonstração de força na região já se reflete em ações táticas no terreno e forte instabilidade financeira global. Nos últimos dias, EUA e Israel realizaram manobras aéreas conjuntas sobre o Iraque, com dezenas de jatos israelenses sobrevoando a fronteira iraniana, enquanto um grande incêndio em uma fábrica de alumínio em Arak levantou suspeitas de sabotagem interna no Irã. Em resposta imediata, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter atacado simultaneamente quatro navios mercantes que realizavam transferências de petróleo no Estreito de Ormuz, além de relatar que outras três embarcações atingiram minas na região. Embora os incidentes não tenham tido verificação independente, o temor de interrupções no fornecimento fez o petróleo Brent disparar para US$ 113,40 o barril.
Diante do cenário alarmante, a diplomacia internacional busca conter o avanço do conflito antes de um ponto de não retorno. Ministros das Relações Exteriores de três países europeus, além de representantes da Turquia, Arábia Saudita, Paquistão e Egito, têm reunião agendada em Istambul para coordenar uma postura conjunta sobre as crises interligadas no Irã, Iêmen e Palestina. A apreensão diplomática reflete o fato de que a eclosão de uma nova guerra ampla passou a ser tratada como a hipótese mais provável tanto por autoridades em Washington quanto em Teerã, superando o histórico recente do governo Trump, que recuou de ataques diretos em sete ocasiões nos últimos quatro meses.
Riscos de um conflito irrestrito e as cartas diplomáticas
A perspectiva de uma nova onda de combates traz alertas severos sobre desdobramentos humanitários e econômicos globais. Reza Nasri, advogado internacional ligado ao Ministério das Relações Exteriores iraniâno, advertiu que uma guerra generalizada destruiria redes elétricas, usinas de dessalinização, refinarias e portos por toda a região, deixando dezenas de milhões de pessoas sem suprimentos básicos e provocando uma crise migratória maciça rumo à Europa. Além disso, a agência Fars informou que Teerã emitiu diretrizes militares prevendo que, em caso de mortes de civis ou assassinatos de autoridades, a resposta iraniana deixará de focar apenas alvos militares e passará a atingir diretamente estruturas e alvos políticos do inimigo.
Apesar da escalada militar, canais indiretos de negociação tentam construir pontes para um cessar-fogo. Mediadores do Irã e do Paquistão voltaram a debater propostas para que Teerã tenha acesso a bilhões de dólares em ativos congelados em troca da liberação do tráfego no Estreito de Ormuz, do envio de seu estoque de urânio altamente enriquecido para um terceiro país e da autorização para que inspetores da ONU avaliem suas instalações nucleares atingidas. O governo iraniano sinalizou a possibilidade de encerrar o bloqueio marítimo em sete dias e retomar os diálogos nucleares, desde que haja a suspensão imediata das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.