Mendonça aguarda PGR para bater o martelo sobre volta de Vorcaro à Papuda, após nova proposta de delação negada

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O futuro jurídico e carcerário do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sofreu uma nova reviravolta. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre a aceitação da segunda proposta de delação premiada apresentada pelo executivo. Além disso, o órgão ministerial deverá emitir um parecer sobre a permanência ou transferência de Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal (PF).

A decisão final sobre o caso caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado foi formalmente comunicado pela Polícia Federal sobre a rejeição do mais recente acordo proposto pelo banqueiro.

Impasse nas negociações e possibilidade de novo acordo

Apesar da negativa recente da PF, o cenário jurídico não impede que a defesa de Vorcaro busque uma nova rodada de negociações. Como a legislação brasileira não impõe rigidez quanto ao número de tentativas, os advogados do banqueiro podem ajustar os termos do acordo e apresentar novas provas para tentar destravar a delação. Esta é a segunda vez que os investigadores recusam uma proposta do executivo, após uma primeira versão ter sido descartada no mês passado.

O principal entrave para o avanço do acordo, segundo os investigadores, reside na qualidade do material apresentado. A equipe jurídica do banqueiro tem sido criticada por oferecer informações que acrescentam pouco ao que a PF já descobriu por conta própria. Há ainda a suspeita, por parte das autoridades, de que o banqueiro esteja omitindo dados para proteger pessoas de seu círculo próximo.

Mudança de regime e disputa pelo local de prisão

Com o travamento das negociações, a permanência de Vorcaro na Superintendência da PF em Brasília passou a ser questionada. A corporação argumenta que o local se justificava apenas enquanto as tratativas da delação avançavam. Recentemente, o banqueiro já havia sido transferido de uma sala no estilo “Estado-maior” — espaço que chegou a abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro entre o fim de 2025 e o início de 2026 — para uma cela comum, onde segue regras estritas de visitação.

Agora, o destino prisional do executivo dependerá de avaliações de segurança. Ele pode retornar para a Penitenciária Federal de Brasília, onde estava detido antes do início das conversas, ou ser transferido para a chamada “Papudinha”. O pavilhão fica ao lado do Complexo da Papuda e atualmente abriga condenados pelos atos de tentativa de golpe de Estado.

O esquema bilionário e as descobertas da perícia

Daniel Vorcaro foi preso sob a acusação de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode ter movimentado até R$ 12 bilhões. O banqueiro havia conseguido a transferência para a sede da PF em março, após assinar um termo de confidencialidade, considerado o passo inicial para a construção da delação premiada que agora está travada.

A situação do proprietário do Banco Master se complicou após a apreensão de mais de oito telefones celulares em posse da defesa. A perícia inicial de apenas uma parte desses aparelhos revelou que os crimes investigados ultrapassam a esfera financeira. Os dados extraídos apontam indícios de corrupção generalizada, organização criminosa e até a utilização de uma milícia privada para monitorar dados sigilosos e atacar adversários do banqueiro.

(Foto: Ricardo Stuckert / PR)

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