Israelenses vão às urnas para definir o destino de Netanyahu no teste mais dramático de sua carreira

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Os eleitores israelenses foram às urnas nesta terça-feira para definir o futuro político do país e de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel. Enfrentando um dos momentos mais críticos de sua trajetória pública, o premiê votou acompanhado da esposa, Sara, em uma escola de Jerusalém no início da tarde. Em declaração à imprensa, Netanyahu classificou o pleito como um momento emocionante e decisivo, exortando a população a votar com responsabilidade sem quebrar as regras de neutralidade do dia eleitoral.

Com urnas abertas das 7h às 22h no horário local (1h às 16h no horário de Brasília), os primeiros boletins emitidos pelo Comitê Central de Eleições apontaram uma participação expressiva dos cidadãos, registrando 44,9% de comparecimento até as 14h. O pleito marca a primeira consulta popular no país desde os ataques de 7 de outubro de 2023 promovidos pelo Hamas. Desde então, a gestão de Netanyahu desencadeou operações militares de grande escala na Faixa de Gaza, além de confrontos diretos e indiretos com o Irã, incursões na Cisjordânia e ofensivas contra grupos militantes no Líbano e no Iêmen.

Disputa acirrada entre blocos e o fator decisivo das alianças

A votação é amplamente interpretada como um referendo sobre a condução de Netanyahu e os rumos da nação. Pesquisas de opinião indicam um cenário extremamente equilibrado, com duas grandes forças políticas disputando a hegemonia. De um lado está a coalizão governista liderada pelo partido Likud, composta por legendas de extrema-direita e ultraortodoxas, como o Poder Judaico e o Sionismo Religioso-Zehut. Do outro lado, a oposição mobiliza correntes centristas e seculares, destacando-se figuras como o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, do partido Yashar, e alianças formadas por nomes como Naftali Bennett, Yair Lapid e Avigdor Lieberman.

Projeções sugerem que nem o bloco governista nem a oposição organizada devem alcançar sozinhos a maioria absoluta de 61 cadeiras no Knesset necessária para governar. Diante desse impasse, o papel dos partidos representantes da minoria árabe-israelense — que equivale a cerca de 20% da população — ganha relevância inédita. A preocupação com a mobilização nesses redutos fez com que Netanyahu apressasse seus apoiadores no meio do dia, alegando forte presença de eleitores em assentamentos árabes e cobrando maior engajamento das bases de direita.

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Apoio externo dividido e os desdobramentos de alto risco

A corrida eleitoral também repercute na política internacional. Netanyahu buscou capitalizar o apoio explícito do ex-presidente norte-americano Donald Trump, destacando publicamente uma postura alinhada na contenção do regime iraniano. No entanto, a postura de Washington não se mostrou unânime: o vice-presidente dos EUA, JD Vance, evitou endossar a candidatura de Netanyahu, declarando neutralidade em relação ao processo eleitoral israelense para focar nas disputas internas norte-americanas.

Para o atual primeiro-ministro, a permanência no cargo envolve desdobramentos que vão além da manutenção do poder político. Netanyahu lida com pressões judiciais internacionais, incluindo mandados de prisão por supostos crimes de guerra em Gaza, além de cobranças internas por investigações sobre eventuais falhas de segurança no ataque de 7 de outubro de 2023, que deixou mais de 1.200 mortos e 250 reféns.

Prazos, apuração e o cronograma para o resultado final

A eleição em Israel preenche as 120 cadeiras do Knesset por meio do sistema proporcional de votos por partidos. Logo após o fechamento das urnas às 22h no horário local (16h em Brasília), a mídia local começará a divulgar as primeiras estimativas por meio de pesquisas de boca de urna. A contagem total e a apuração final dos votos estão previstas para serem concluídas até o dia 30 de outubro, culminando com a publicação formal dos resultados oficiais em 4 de novembro pelo Comitê Central de Eleições.

A definição sobre quem governará o país, contudo, pode levar semanas ou meses. Como nenhuma sigla costuma obter sozinha a maioria simples de 61 assentos, a formação do novo governo dependerá das complexas negociações de coalizão. Assim que os resultados oficiais forem homologados em 4 de novembro, o presidente Isaac Herzog iniciará consultas formais com os partidos e concederá um prazo de 42 dias para que o líder mais bem posicionado tente articular um governo de coalizão. Caso essa tentativa fracasse, a gestão atual do Likud permanecerá interinamente no poder até a convocação de novas eleições.

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