Irã endurece discurso e avisa aos EUA: “Programa de mísseis nunca estará em negociação”
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou categoricamente que os mísseis do país não fazem parte do Memorando de Entendimento (MoU) assinado com os Estados Unidos e que o tema jamais entrará na pauta de negociações. A declaração foi feita nesta terça-feira, em Islamabad, durante uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. De acordo com o líder iraniano, a nação não aceitará interferências externas em suas capacidades de defesa, defendendo que a paz e a estabilidade na região devem ser alcançadas exclusivamente por meio de cooperação e diálogos honestos entre os próprios países vizinhos.
Disputa pelo controle dos fundos liberados
Paralelamente ao debate militar, o destino dos recursos financeiros iranianos gerou divergências públicas. Os Estados Unidos suspenderam temporariamente as sanções contra o Irã por um período de 60 dias, após rodadas de negociações na Suíça que buscam transformar um pacto provisório em um acordo de paz definitivo. Com a medida, estima-se que cerca de US$ 12 bilhões em ativos iranianos que estavam congelados comecem a ser liberados.
No entanto, o vice-presidente americano, JD Vance, declarou que o governo dos EUA, em parceria com o Catar, manteria o controle sobre a supervisão desses fundos, sugerindo que o montante deveria ser canalizado para a compra de commodities agrícolas americanas, como milho, soja e trigo.
Teerã exige autonomia financeira
A postura de Washington foi prontamente rebatida pela diplomacia iraniana. O embaixador do Irã nas Nações Unidas em Genebra, Ali Bahreini, confirmou que as conversas bilaterais recentes foram produtivas, mas contestou de forma incisiva a versão apresentada por Vance sobre a tutela do dinheiro. Em conversa com jornalistas, Bahreini enfatizou que Teerã detém soberania absoluta sobre os recursos recuperados e rejeitou qualquer alegação de que governos estrangeiros possam ditar ou influenciar o destino de suas decisões financeiras e comerciais.