Irã ataca dez navios no Estreito de Ormuz em meio à escalada de hostilidades com os EUA

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Teerã declarou nesta quarta-feira ter atingido dez embarcações no Estreito de Ormuz, em retaliação ao naufrágio de cinco petroleiros iranianos destruídos por forças americanas durante a noite. O episódio marca a intensificação mais grave nas hostilidades das últimas semanas do conflito, que já se estende por meio ano com disputas diretas pelo controle da hidrovia estratégica — rota vital por onde escoa cerca de 20% do petróleo e gás de todo o planeta. Com os confrontos centrados na tentativa iraniana de fechar a passagem e no bloqueio imposto por Washington aos portos do país persa, o preço internacional da commodity ultrapassou a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde o mês de julho.

Impactos globais e reflexos políticos

A disparada nos preços dos combustíveis e alimentos pressiona diretamente Wall Street, onde as ações fecharam em queda, e impõe um desgaste severo à administração de Donald Trump. O governo norte-americano lida com o desgaste de uma guerra impopular às vésperas das eleições de meio de mandato, em um cenário econômico dominado pela crise no custo de vida. A gravidade da situação energética levou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a anunciar uma nova diretriz militar: Washington passará a revidar os ataques iranianos destruindo frotas de petroleiros do país persa sempre que embarcações da Marinha norte-americana forem alvejadas.

Balanço de ataques e baixas na região

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Enquanto a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) justificou a ofensiva contra os navios — incluindo duas embarcações americanas e oito petroleiros operando sem autorização — e confirmou a morte de um marinheiro e o desaparecimento de outro, o Comando Central dos EUA negou danos diretos à sua frota e alegou que as tentativas inimigas falharam. Além do incidente em Ormuz, um navio-tanque com 2 milhões de barris de óleo combustível foi atingido por um drone em águas iraquianas, sem registro de vítimas ou vazamentos, e mísseis foram disparados contra bases americanas na Jordânia, resultando em interceptações e quedas em áreas desabitadas. Em resposta às advertências de Teerã, que ameaçou intensificar a proporção de ataques multiplicando alvos na região e ampliar áreas proibidas à navegação até as proximidades de Chabahar, o conflito expandiu ainda mais suas fronteiras estratégicas.

Extensão do conflito para a Arábia Saudita

A volatilidade geopolítica também redimensionou a crise para o Iêmen e a Arábia Saudita, após uma ofensiva relâmpago do movimento Houthi contra o sul iemenita rumo ao Mar Vermelho. Na terça-feira, os houthis lançaram uma onda de ataques contra quatro cidades sauditas que deixou 73 feridos e provocou grandes incêndios em instalações petrolíferas locais. A ofensiva dos insurgentes alinhados a Teerã consolida a tentativa de impor um bloqueio rigoroso no Mar Vermelho contra o reino saudita, ameaçando estrangular mais uma rota crucial de exportação energética e aprofundando a instabilidade no Oriente Médio.

Foto; Marcos Britto

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