Zé Trovão rechaça aliança com Hugo Motta e ameaça entrar na disputa pela presidência da Câmara
O cenário de articulações para as eleições internas do Congresso Nacional ganhou contornos de tensão dentro da maior bancada da Câmara dos Deputados. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) manifestou forte oposição à possibilidade de a cúpula do seu partido fechar um acordo para reconduzir Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Casa. Em pronunciamento divulgado em suas redes sociais, o parlamentar rechaçou as conversas que visam manter a atual composição do comando do Poder Legislativo, que inclui também Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado. Como reação ao movimento da liderança partidária, Zé Trovão anunciou que colocou sua equipe à disposição para formalizar uma candidatura avulsa, respaldada pelo regimento interno, caso o partido opte por não apresentar um nome próprio e competitivo para a disputa.
Cobrança por hegemonia e pautas conservadoras
A postura do deputado catarinense expõe a divisão interna no Partido Liberal, onde uma ala mais radical defende que a legenda faça valer o peso de ter elegido as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado. Na visão desse grupo, o capital político conquistado nas urnas deve ser utilizado para disputar diretamente o comando das duas Casas, em vez de ceder espaço a composições pragmáticas. Em suas declarações, Zé Trovão dirigiu duras críticas a Hugo Motta e rechaçou argumentos de bastidor que sugerem que o apoio na Câmara seria uma moeda de troca necessária para viabilizar a eleição de um aliado no Senado.
Para o parlamentar, a presidência da Câmara está diretamente atrelada às prioridades políticas da ala bolsonarista, incluindo a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro e a defesa dos processados pelos atos de 8 de janeiro. Ele argumentou que o partido não deve aceitar concessões a lideranças que mantêm proximidade com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sustentando que a bancada deve manter uma postura de confronto direto nas urnas, mesmo diante do risco de derrota.