Irã ameaça lacrar o Mar Vermelho e o fluxo do comércio mundial devido ao bloqueio naval americano
O governo do Irã elevou o tom contra a presença militar norte-americana na região do Golfo Pérsico. Na quarta-feira, Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Estado-Maior Khatam al-Anbiya, alertou que a continuidade do bloqueio ao Estreito de Ormuz será interpretada como uma violação direta do cessar-fogo. Segundo o oficial, as Forças Armadas iranianas estão preparadas para responder de forma imediata caso os Estados Unidos persistam no que Teerã classifica como ações ilegais contra sua frota comercial.
A retórica iraniana foca no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa grande parte do petróleo mundial, transformando a via em uma peça central de defesa. Zolfaghari foi enfático ao declarar que, se os EUA mantiverem o cerco marítimo e criarem insegurança para os petroleiros e navios mercantes do país, haverá consequências severas. O porta-voz afirmou que o Irã não permitirá o fluxo de exportações ou importações no Golfo Pérsico, no Mar de Omã e na região do Mar Vermelho caso suas próprias atividades econômicas sejam sufocadas.
Reação às sanções e ao bloqueio de Trump
A crise ganhou novos contornos após o anúncio do governo Trump, que resultou no bloqueio do tráfego marítimo nos portos iranianos. A medida, iniciada na última segunda-feira, cumpre uma promessa anterior de Washington de interromper o que classifica como “extorsão” por parte do Irã, referindo-se à cobrança de pedágios para a travessia de águas internacionais. Para a Casa Branca, o bloqueio visa impedir que o regime lucre com taxas sobre a navegação na região.
Defesa da soberania e o princípio da reciprocidade
Em contrapartida, o Irã classificou as restrições impostas pelos Estados Unidos como um ato de pirataria moderna e uma violação flagrante do direito internacional. Ao reiterar que o país agirá com firmeza para proteger seus interesses nacionais, Zolfaghari resumiu a postura defensiva da República Islâmica através de um ultimato: a segurança naquelas águas deve ser garantida “para todos ou para ninguém”. Com isso, Teerã sinaliza que a estabilidade dos portos na região depende diretamente da liberdade de navegação iraniana.