Flávio Dino autoriza a abertura de terceiro inquérito para investigar Lulinha
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou a abertura de um terceiro inquérito pela Polícia Federal para investigar supostos crimes de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, além de aliados dele. Simultaneamente, Dino determinou o início de uma quarta investigação focada na apuração de vazamentos de informações sigilosas ligadas aos processos.
Indicado ao STF por Lula, Dino assumiu a relatoria dos novos casos após um sorteio gerado pelo fato de a Polícia Federal apresentar requerimentos sem estabelecer uma conexão direta com o ministro André Mendonça. Este último, indicado por Jair Bolsonaro, já conduzia uma operação sobre fraudes e desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigação de onde surgiram as primeiras evidências contra Lulinha.
A tramitação desses desdobramentos intensificou o atrito entre a corporação policial e o gabinete de Mendonça. O magistrado vinha cobrando detalhamentos das provas obtidas no caso do INSS e exigido comunicação prévia sobre alterações na equipe de investigação. A desconfiança mútua cresceu após a transferência interna do inquérito do INSS pela PF, movimentação que culminou na substituição do delegado responsável pelo caso, que havia requisitado a quebra de sigilo de Lulinha.
Panorama das investigações e alvos
Os dois primeiros pedidos de inquérito formalizados pela PF acabaram retornando a André Mendonça por meio de novos sorteios. O primeiro foca em suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto, enquanto o segundo examina negociações envolvendo a Dataprev, empresa pública de tecnologia. O terceiro inquérito, por sua vez, concentra-se nas condutas de aliados de Lulinha em diferentes pastas da administração federal.
As representações policiais não solicitaram diretamente a saída dos casos da relatoria de Mendonça. Contudo, a ausência de vinculação explícita permitiu que o presidente em exercício da Corte durante o recesso, Alexandre de Moraes, encaminhasse o material para livre distribuição. Antes disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, analisou os documentos e avaliou que os processos deveriam seguir por distribuição livre. Apesar da manobra que poderia afastar Mendonça, um novo sorteio o definiu novamente como relator, fazendo com que ele tomasse conhecimento formal dos autos apenas ao chegarem em seu gabinete.
O papel dos investigados e conexões
No centro das apurações do primeiro inquérito está a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha. Dados levantados apontam que ela frequentou órgãos federais mais de 40 vezes entre 2023 e 2025 sem o devido registro em agendas oficiais de autoridades, incluindo passagens pelo Ministério da Saúde e encontros com o então ministro Alexandre Padilha. Embora a defesa de Luchsinger tenha cobrado investigações sobre o vazamento de conversas suas, o objeto exato da quarta investigação sobre quebra de sigilo permanece sob sigilo.


