Flávio Bolsonaro questiona resultado das urnas e anuncia ação para cassar chapa de Lula
Após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o seu quarto mandato presidencial com 51,79% dos votos válidos, o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) declarou que acionará a Justiça para pedir a cassação da chapa vencedora e a anulação do pleito. A consolidação do resultado ocorreu na noite de domingo, quando a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atingiu 97% das urnas, definindo o placar final em 51,74% para o petista contra 48,26% do senador.
Em seu pronunciamento, o parlamentar criticou duramente a condução do processo eleitoral, fazendo menção direta à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que prorrogou em duas horas o horário de encerramento da votação em determinadas localidades. Classificando o cenário como inaceitável, Flávio afirmou que seu corpo jurídico atuará para contestar formalmente a apuração, sustentando ser impossível reconhecer o resultado diante das circunstâncias do pleito.
Em contrapartida às declarações do candidato, a lisura das urnas e a transparência da votação foram chanceladas pela própria Justiça Eleitoral. Logo após a divulgação do resultado do segundo turno, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado ao cargo durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, destacou publicamente que possui absoluta segurança quanto à integridade de todo o processo eleitoral.
Intimação da Polícia Federal e retenção de passaportes
Além dos desdobramentos eleitorais, a segunda-feira do senador foi marcada por uma ação da Polícia Federal. Ao visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre pena de 27 anos e três meses em prisão domiciliar por liderar uma tentativa de golpe de Estado após o pleito de 2022 —, Flávio foi intimado a entregar seus documentos de viagem e informado sobre a proibição de deixar o país.
A ordem judicial foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito de um processo que investiga o senador e o advogado Willer Tomaz por suposta prática de lavagem de dinheiro. Pela determinação, além da entrega de eventuais passaportes de outras nacionalidades que o parlamentar possua, a Polícia Federal deverá cancelar seus documentos brasileiros, incluindo o passaporte diplomático.
Ao deixar o local, o senador confirmou que cumprirá a ordem judicial, mas rebateu os fundamentos da decisão, que citou declarações recentes de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista concedida na última sexta-feira a um podcast nos Estados Unidos, Eduardo defendeu que o irmão deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição, além de levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas. Flávio assegurou que jamais cogitou sair do país, classificou a medida do STF como uma aberração e uma tentativa de intimidação, e garantiu que apresentará sua defesa nos autos.