Flávio Bolsonaro pede a Trump classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas em encontro em Washington
O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (26), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. A movimentação, que incluiu a presença de Eduardo Bolsonaro e de Paulo Figueiredo, foi registrada pelo próprio parlamentar através de suas redes sociais. Embora membros da comitiva tenham classificado o encontro como rápido, a reunião serviu para a entrega de documentos oficiais aos assessores da administração norte-americana, consolidando o esforço de aproximação entre o grupo político brasileiro e a ala ideológica do governo Trump. A viagem, articulada por Eduardo Bolsonaro — que permanece nos Estados Unidos há mais de um ano —, reforça a atuação do parlamentar em articulações internacionais junto a aliados do presidente norte-americano.
Pautas estratégicas e defesa de interesses
Em coletiva de imprensa realizada logo após a audiência, o senador Flávio Bolsonaro detalhou os pontos centrais tratados com o líder norte-americano. O parlamentar afirmou ter solicitado formalmente a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. Além dessa pauta de segurança pública, Flávio relatou que discutiu as diferenças entre a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e as diretrizes de um eventual governo conservador no Brasil. Os temas de segurança, políticas tarifárias e a exploração estratégica de terras raras dominaram o diálogo, evidenciando a busca por um alinhamento econômico e geopolítico com os Estados Unidos. Durante a conversa, o senador também pontuou um momento de cordialidade, descrevendo como um “gesto humano” o interesse demonstrado por Trump a respeito da saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, selando a reunião com o recebimento de uma “challenge coin”, moeda simbólica da tradição militar dos EUA.
Contexto político e cenário eleitoral
A visita a Washington ocorre em um momento estratégico para o senador, que busca reconfigurar o cenário de sua pré-campanha presidencial. Segundo analistas e relatos de bastidores, a viagem foi vista como um movimento necessário para neutralizar o impacto de recentes turbulências na opinião pública. Dados da última pesquisa Datafolha indicam um recuo na popularidade do senador, que viu sua intenção de voto no primeiro turno oscilar de 35% para 31%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 38% para 40%. Nas simulações de segundo turno, o cenário também se tornou mais desafiador, com o petista alcançando 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Diante dessa oscilação nas urnas, a estratégia articulada pelo grupo bolsonarista nos Estados Unidos visa retomar o protagonismo de sua pauta ideológica, tentando, assim, reverter o desgaste político e recolocar sua candidatura em uma trajetória de crescimento.