Planeta misterioso que desafiou astrônomos por uma década é finalmente revelado

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Uma varredura minuciosa em arquivos de dados espaciais com mais de uma década revelou um segredo cósmico que estava bem diante dos nossos olhos. Astrônomos identificaram um terceiro planeta orbitando a estrela Beta Pictoris, um corpo celeste que permaneceu oculto por mais de 11 anos em registros astronômicos antigos. A descoberta histórica foi realizada de forma independente por duas equipes distintas, que uniram a precisão do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), à tecnologia de ponta do Telescópio Espacial James Webb.

Batizado de Beta Pictoris d, o novo integrante do sistema é um gigante gasoso com dimensões ligeiramente superiores às de Júpiter. O que torna este achado extraordinário é o seu brilho extremamente tímido: ele é cerca de 100 vezes mais fraco que seu irmão, Beta Pictoris b. Essa característica única confere ao novo planeta o título de exoplaneta mais fraco já registrado por meio de fotografia direta a partir da Terra. Os detalhes dessa fascinante descoberta foram oficialmente publicados no periódico científico The Astrophysical Journal Letters.

O esforço duplo e a confirmação no arquivo

A confirmação do novo planeta é fruto de um esforço de investigação científica paralelo e altamente coordenado. Inicialmente, um grupo de pesquisadores europeus detectou o sinal do planeta utilizando o instrumento ERIS, acoplado ao Very Large Telescope, no Chile. Para ter certeza do achado, os cientistas decidiram mergulhar no passado e revisaram imagens de arquivo de mais de uma década atrás. Para a surpresa de todos, o planeta já aparecia timidamente em registros capturados há 11 anos, embora não tivesse sido notado na época.

Enquanto isso, outra equipe liderada pelo astrônomo Aidan Gibbs alcançou o mesmo resultado por um caminho diferente, identificando o gigante gasoso por meio de duas observações inéditas do Telescópio Espacial James Webb. Para garantir a total integridade científica do processo e evitar que uma descoberta influenciasse a outra, os dois grupos trabalharam de maneira completamente isolada até a validação final dos dados.

Um vislumbre da juventude cósmica

O sistema de Beta Pictoris, localizado a uma distância de 63 anos-luz da Terra, funciona como um verdadeiro laboratório para os cientistas que estudam a evolução planetária. Com apenas cerca de 20 milhões de anos de idade — um piscar de olhos em termos cosmológicos —, o sistema ainda está em sua infância.

Em sua lenta jornada ao redor da estrela jovem, o recém-descoberto Beta Pictoris d leva longos 91 anos terrestres para completar uma única órbita. Com este novo achado, o sistema entra para um seleto grupo de elite da astronomia moderna, tornando-se apenas o segundo sistema estelar na história — atrás apenas do famoso HR 8799 — a ter mais de dois exoplanetas confirmados e eternizados por meio de imagens diretas.

Foto: AP

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