Fenda gigante surge na Venezuela expelindo fumaça com temperaturas de 350 °C; veja vídeo
Uma enorme fenda de mais de 24 metros de comprimento tem assustado os moradores do setor de Las Lomitas, localizado na aldeia de Machado, município de Sucre, estado de Táchira. O fenômeno, que apresenta buracos em chamas, forte emissão de gases, temperaturas extremas e colunas de fumaça expelidas pelo subsolo, gerou grande comoção e mobilizou as autoridades locais dos Andes venezuelanos.
Fenômeno geológico e não vulcânico
Apesar dos rumores que ganharam força nas redes sociais sugerindo uma atividade vulcânica ou reflexos dos severos terremotos ocorridos em junho, especialistas esclareceram ao portal Crónica Uno que a origem da ameaça é puramente geológica. O incidente trata-se de um “incêndio em camada de carvão”, provocado pela queima de um depósito subterrâneo presente na região há mais de dez anos. O fogo teve início quando o gás metano acumulado no subsolo encontrou o oxigênio através da fissura na superfície.
As medições no interior da falha geológica registram temperaturas assustadoras, que variam entre 270 °C e 350 °C, enquanto a radiação na superfície ultrapassa os 90 °C. Diante do cenário crítico e da descoberta de atividades de mineração ilegal de carvão no local, o prefeito de Sucre, Carlos Eduardo Rodríguez Vera, assinou o Decreto nº 010/2026. A medida declarou a região como zona de alto risco e determinou o seu isolamento imediato.
Restrição rigorosa e combate ao fogo
O trânsito na área está estritamente proibido para moradores e curiosos. Apenas equipes técnicas de Geologia, agentes da Defesa Civil e forças de segurança — incluindo a Guarda Nacional Bolivariana e as Polícias Estadual e Nacional — possuem autorização para circular no perímetro restrito. De acordo com o diretor da Defesa Civil de Táchira, Yesnardo Canal, a estratégia de combate ao incêndio consiste em cobrir a fenda com areia e sedimentos da própria região, cortando o oxigênio para apagar as chamas gradualmente. Canal destacou que o terreno é árido e sem vegetação para propagar o fogo, confirmando que nenhuma residência ou família foi atingida até o momento.
As autoridades venezuelanas reforçam o pedido de calma, orientando a população a não compartilhar conteúdos alarmistas ou notícias falsas, além de desencorajar visitas ao local. Os especialistas alertam que os maiores perigos na zona de risco envolvem o colapso do solo devido aos vazios deixados pelo carvão consumido, a ameaça de quedas na fissura e o risco severo de intoxicação por gases nocivos, como o monóxido de carbono e o dióxido de enxofre.