EUA expandem bombardeios e Irã revida em cinco países, colocando em risco o mercado global de energia

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As Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram, na noite de sexta-feira, o sétimo dia consecutivo de ataques contra alvos no Irã, intensificando a crise que paralisou o Estreito de Ormuz. De acordo com o Comando Central dos EUA, a operação teve como objetivo principal o enfraquecimento das capacidades bélicas iranianas. Em contrapartida, a imprensa local reportou explosões em diversas cidades, incluindo Sirik, Ahvaz e Yazd, enquanto a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) negou a autoria de ataques a petroleiros na região, acusação feita por Washington.

A violência expandiu-se geograficamente no sábado, com forças iranianas alegando ter atacado infraestruturas estratégicas, incluindo uma base aérea no Bahrein e um centro de inteligência local, além de instalações militares americanas no Kuwait. O aeroporto internacional do Kuwait chegou a interromper operações devido a investidas com drones e mísseis. Na sexta-feira, bombardeios americanos destruíram pontes vitais na província de Hormozgan, essencial para o porto de Bandar Abbas, e atingiram infraestruturas elétricas e aeroportuárias em Iranshahr e Chabahar, provocando uma crise energética no sul do Irã e forçando autoridades a racionar eletricidade sob calor extremo.

Impactos humanitários e riscos regionais

O custo humano do conflito é elevado, com o Ministério da Saúde iraniano contabilizando 38 mortes e mais de 400 feridos até a manhã de sexta-feira. Especialistas em direitos humanos alertam que os ataques contra infraestruturas civis, como as redes de energia e água, podem configurar crimes de guerra. A situação é agravada pela retaliação iraniana, que atingiu países vizinhos como Bahrein, Kuwait, Jordânia, Omã e Catar, levantando temores sobre a segurança regional. No Kuwait, danos a uma usina de dessalinização ameaçam o abastecimento de água potável do país.

A estratégia americana parece alinhar-se à promessa do presidente Donald Trump de ampliar a campanha aérea contra o Irã para forçar a reabertura do Estreito de Ormuz. O colapso do acordo provisório entre as nações, que tentava manter a hidrovia aberta e negociar uma trégua, resultou no fechamento do estreito pelo lado iraniano e na reimposição de um bloqueio naval americano aos portos do país persa, gerando um cenário de bloqueios e perseguições a navios comerciais.

Consequências para o mercado global de energia

O Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás, vive um esvaziamento do tráfego marítimo. Empresas de inteligência marítima apontam uma queda significativa no volume de cargas, com muitos navios optando por permanecer ancorados ou navegar com sistemas de localização desligados para evitar alvos. A instabilidade é amplificada por ameaças iranianas de mobilizar aliados houthis no Iêmen para fechar o Mar Vermelho caso as instalações energéticas do Irã continuem sendo alvejadas, o que representaria um risco severo ao mercado global de energia.

Enquanto esforços diplomáticos, liderados pelo Paquistão, tentam viabilizar um retorno à mesa de negociações, o cenário torna-se cada vez mais complexo. Apesar do agravamento das tensões, dos prejuízos comerciais e do risco de uma deflagração regional mais ampla, o governo americano mantém um tom de otimismo. Em pronunciamento recente, o presidente Trump declarou que os EUA estão conquistando vitórias significativas no conflito e que os resultados da campanha seriam visíveis em breve.

Foto: AP

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