Em carta, Bolsonaro escolhe Flávio como nome para sucessão presidencial e exige união em torno do filho

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou suas redes sociais neste sábado (11) para realizar uma transmissão ao vivo onde tornou pública uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. No documento, o ex-mandatário oficializa o filho como seu “porta-voz” e o aponta como o nome escolhido para disputar a Presidência da República. Segundo o texto, Jair Bolsonaro confia em Flávio como a alternativa ideal para enfrentar desafios como a corrupção, a violência e o empobrecimento que, na visão do ex-presidente, afetam o país.

A carta, lida integralmente durante a live, expressa o seguinte teor:

“Carta aos brasileiros:

Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.

Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.

Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade”.

Durante a transmissão, o senador agradeceu a indicação e pontuou a importância da medida para alinhar a comunicação do grupo político. Flávio Bolsonaro afirmou que a nomeação é fundamental para evitar declarações contraditórias ou direções divergentes dentro do movimento, mencionando que setores do eleitorado aguardam uma sinalização clara para engajar na campanha.

Registro da leitura da carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, feita por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, durante compromisso neste sábado (11). (Foto: Divulgação)
Contexto de crise interna e tensões familiares

O gesto de Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses em prisão domiciliar por liderar uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado, surge como uma tentativa de pacificação em meio a um desgaste público evidente na família. Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagonizaram trocas de acusações via redes sociais.

O atrito ganhou contornos públicos quando Michelle relatou ter sido humilhada e maltratada pelo senador. O episódio gerou preocupação em aliados do parlamentar, sobretudo pelo possível impacto negativo junto ao eleitorado feminino e evangélico, nichos nos quais a ex-primeira-dama possui forte influência. Embora Flávio tenha pedido desculpas na ocasião, alegando não ter tido a intenção de ofendê-la, as tensões perduraram, incluindo uma postagem de Michelle compartilhando críticas feitas pelo ex-governador Anthony Garotinho sobre o senador.

Como desdobramento da crise, Michelle Bolsonaro decidiu renunciar à presidência do PL Mulher, decisão acertada em reunião com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. O dirigente partidário, que tem buscado mediar os conflitos internos, admitiu recentemente que a comunicação entre o senador e a ex-primeira-dama está rompida e destacou a necessidade urgente de pacificação no grupo nos próximos 20 dias para que o partido possa definir um rumo estratégico para as eleições.

Foto: AP

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