Lula desafia EUA em nova política de minerais: “Trump pode começar a se preocupar com o Brasil”

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Em reunião realizada hoje no Palácio do Planalto com ministros e lideranças do setor mineral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil iniciará um plano estratégico para o desenvolvimento da cadeia de terras raras e minerais críticos. Com um tom incisivo, o chefe do Executivo afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve passar a observar o Brasil com atenção, sinalizando a intenção do país de competir diretamente em um mercado estratégico dominado atualmente por potências globais.

O governo pretende institucionalizar esse salto tecnológico por meio da criação de um conselho dedicado ao tema, além da estruturação de laboratórios e institutos de pesquisa especializados. Segundo o presidente, o objetivo é romper com o histórico de exportação apenas de matéria-prima, focando agora na exportação de inteligência e conhecimento agregado. Lula ressaltou que, se a preocupação americana se concentra na China, o Brasil desponta como um novo competidor capaz de oferecer produtos equivalentes ou superiores em qualidade.

Crítica à dependência externa e falta de política de Estado

Durante o encontro, o mandatário brasileiro reconheceu a carência de uma política pública estruturada para o setor e teceu críticas à mentalidade da elite nacional, a qual descreveu como excessivamente voltada aos Estados Unidos, apesar de o país manter laços de dependência com fornecedores russos e compradores chineses. A discussão no Planalto também abrangeu a tramitação de um novo marco legal no Congresso Nacional, que deverá ser acompanhado por estímulos fiscais e linhas de crédito específicas para fomentar a indústria nacional, visando superar as atuais limitações tecnológicas do país.

O peso estratégico das terras raras na geopolítica

Popularmente denominados “terras raras”, o conjunto de 17 elementos químicos composto por lantanídeos e dois metais de transição desempenha um papel fundamental na economia do século XXI. Esses materiais são insumos indispensáveis para a fabricação de tecnologias de ponta, como ímãs de alto desempenho utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e componentes de armazenamento de dados.

Atualmente, esses minerais estão no epicentro de uma disputa geopolítica acirrada entre Washington e Pequim, uma vez que a segurança industrial, energética e de defesa das grandes nações depende do acesso a esses insumos. Enquanto a China exerce uma posição de domínio sobre a mineração e, sobretudo, o processamento desse material, os Estados Unidos têm concentrado esforços em diversificar suas fontes de suprimento para reduzir sua vulnerabilidade diante do país asiático.

Nesse tabuleiro global, o Brasil emerge com uma vantagem competitiva significativa. Segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o território brasileiro detém a segunda maior concentração de terras raras do mundo, com 23% das reservas, situando-se atrás apenas da China, que possui 49%. O volume brasileiro é expressivo quando comparado à reserva dos Estados Unidos, que detêm apenas 2,1% desses recursos estratégicos.

Foto: AP

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