Derrota de Messias provoca revolta em Lula e deixa Planalto desesperado com rasteira de Alcolumbre

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A reprovação da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) provocou um verdadeiro abalo sísmico no Palácio do Planalto. O revés no Senado Federal é lido como uma derrota direta para o governo, que agora credita o resultado negativo à articulação incisiva do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, em uma aliança estratégica com a oposição. Messias não alcançou o quórum mínimo necessário, obtendo apenas 34 dos 41 votos exigidos no plenário, após uma tensa sabatina de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde 42 parlamentares se posicionaram contra seu nome.

A articulação nos bastidores

O cenário que se desenhou ao longo do dia contrariou o otimismo inicial dos governistas, que projetavam uma vitória apertada, calculando entre 41 e 45 votos favoráveis. Entretanto, a resistência começou a ganhar corpo ainda no meio da tarde, enquanto Messias prestava depoimento. Lideranças da base aliada foram surpreendidas com a informação de que Alcolumbre operava contra a indicação desde o dia anterior. O movimento do presidente do Senado foi explícito: ele passou a manhã em sua residência oficial articulando dificuldades e, num gesto de desdém político, recusou-se a receber o indicado entre a votação na CCJ e a análise no plenário — um rito de cortesia que foi cumprido em indicações anteriores, como as de Flávio Dino e Cristiano Zanin.

O rompimento com o legislativo

A postura de Davi Alcolumbre foi interpretada pelo presidente Lula e por membros do primeiro escalão como uma declaração de guerra. O governo manifestou indignação com a disposição do senador em abrir uma crise institucional, especialmente considerando o histórico de boa relação mantido até o ano anterior. A celeridade imposta por Alcolumbre às outras nove indicações presidenciais na pauta, deixando o STF por último e resolvendo a questão em tempo recorde, foi vista como uma manobra para escancarar o isolamento de Messias. O líder do governo, Jaques Wagner, chegou a visitar o Alvorada durante o processo para alertar Lula sobre os sinais desanimadores, retornando à residência oficial na noite da derrota para traçar novas estratégias.

Para além da crise imediata no Congresso, o episódio carrega um peso simbólico e eleitoral devastador. Parlamentares de diversos espectros políticos avaliam a rejeição como um sinal de enfraquecimento do Executivo a apenas seis meses das eleições principais, o que pode comprometer a construção de alianças remanescentes. O uso político do evento já é nítido; figuras da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, aproveitaram a vitrine da CCJ para desferir ataques diretos à gestão petista e comemorar o resultado. Historicamente, o fato é ainda mais grave: trata-se da primeira rejeição a uma indicação presidencial para o STF em mais de um século, quebrando uma tradição de aprovações protocolares que se mantinha desde o governo de Floriano Peixoto.

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