Com gol de Mbappé e brilho de Doué, França bate Paraguai sob calor de 38°C e vai às quartas

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A seleção francesa garantiu sua classificação para as quartas de final ao superar o Paraguai em um confronto marcado pelo desgaste. Para os críticos da eliminação precoce da Alemanha, os franceses avançaram mostrando eficiência e igualando o número de gols da equipe de Nagelsmann. O desafio, no entanto, não foi simples: os paraguaios montaram uma verdadeira muralha defensiva que só foi rompida quando Kylian Mbappé converteu uma penalidade máxima.

O grande trunfo da França na partida estava guardado no banco de reservas. O jovem Doué, que havia perdido a vaga de titular para Barcola, entrou na segunda etapa com a missão de reanimar um time que começava a sofrer com a mesma apatia que eliminou os alemães. Com muita personalidade, o jogador do PSG infernizou a defesa adversária e sofreu o pênalti decisivo, provando que o elenco francês esbanja opções decisivas — se ontem o brilho foi de Dembélé ou Olise, hoje a estrela foi dele.

Termômetro nas alturas prejudica o espetáculo na Filadélfia

O ritmo da partida foi visivelmente afetado pelas condições climáticas extremas. O calor insuportável no primeiro tempo levantou questionamentos legítimos sobre a viabilidade de se praticar futebol sob temperaturas de 38 graus, algo que prejudica o espetáculo e a saúde dos atletas. Em um cenário tão desgastante, a estratégia defensiva do Paraguai era a única alternativa viável para evitar um revés físico precoce. Apenas nos minutos finais, quando os paraguaios foram obrigados a se expor em busca do empate, o jogo ganhou em transição, com chances criadas para os dois lados.

A incoerência do protocolo de hidratação também gerou debates nos bastidores. A organização do torneio havia implementado pausas de três minutos em partidas anteriores jogadas sob chuva e termômetros abaixo dos 20 graus — como no duelo da própria França contra o Iraque. Diante disso, a ausência de uma compensação proporcional no calor escaldante desta tarde expôs a torcida a um mar de abanadores e os jogadores a um esforço desumano.

Arbitragem confusa e polêmicas em campo

A atuação do árbitro uzbeque Ilgiz Tantashev foi amplamente criticada e pareceu sofrer os efeitos do clima abafado. Tantashev demonstrou excesso de rigor ao punir os franceses Barcola, Koné e Olise com cartões amarelos em lances duvidosos, enquanto ignorou a postura excessivamente física do Paraguai. O ápice dos erros ocorreu quando o juiz e a cabine do VAR ignoraram um toque de mão claríssimo de Cubas em jogada com Mbappé, gerando forte frustração no craque francês.

O festival de equívocos da arbitragem continuou ao longo do confronto. Tantashev marcou um escanteio inexplicável em um lance onde Mbappé conduziu a bola com a mão, além de ignorar uma falta em Doué na entrada da área, mesmo estando a poucos metros da jogada. O panorama só não foi pior porque o VAR interveio nos minutos finais para corrigir a omissão do árbitro e assinalar a penalidade sofrida por Doué após falta de Diego Gómez.

Se o futebol em campo foi travado, as arquibancadas na Filadélfia viveram um clima de celebração memorável. A partida coincidiu com o feriado nacional do Quatro de Julho, que este ano celebrou o histórico 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos, assinada justamente na cidade. O público foi brindado com um show pirotécnico e uma execução emocionante do hino nacional por Idina Menzel, estrela premiada do teatro americano. O entretenimento pré-jogo contou ainda com a apresentação do lendário grupo de hip-hop local The Roots, coroada pelo voo rasante dos esquadrões de aviação naval VFA-11 e VFA-81 sobre o estádio.

O placar magro também se deve à grande atuação do goleiro paraguaio Orlando Gill. Embora a linha defensiva da França tenha se mostrado impenetrável na maior parte do tempo, limitando as ações ofensivas do Paraguai, o arqueiro sul-americano brilhou quando acionado. Ele evitou o pior em um forte chute de longa distância de Manu Koné e operou um milagre duplo contra Mbappé já nos acréscimos da partida, mantendo a dignidade de sua seleção até o apito final.

A caça ao recorde: Mbappé e Messi mantêm duelo histórico

Com o gol de pênalti convertido, Mbappé não apenas garantiu a classificação francesa, mas também acirrou a corrida histórica contra Lionel Messi. O camisa 10 da França chegou aos sete gols nesta edição, empatando com o argentino na artilharia do torneio. Na contagem histórica de todas as Copas, a disputa segue acirrada: Messi soma 20 gols contra 19 de Kylian. Este duelo de titãs evoca a histórica final de 2022 no Catar e mantém os holofotes voltados para os dois astros, que só podem se reencontrar em uma eventual final, sem esquecer a sombra de artilheiros como Haaland e Kane na atual temporada.

Foto: AP

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