Com 50,13% dos votos, Keiko Fujimori é eleita presidente após três semanas de suspense no Peru
Aos 51 anos, a administradora de empresas formada nos Estados Unidos, Keiko Sofía Fujimori Higuchi, finalmente alcançou o posto mais alto da política peruana. Após a conclusão de um segundo turno histórico e acirrado, ela garantiu a vitória em sua quarta tentativa presidencial. No dia 7 de junho, os primeiros dados de boca de urna já sinalizavam sua liderança, mas o cenário chegou a ficar suspenso após uma virada na contagem rápida que colocava Roberto Sánchez em um empate virtual. A confirmação definitiva veio apenas com o encerramento da apuração oficial conduzida pelo órgão eleitoral do país.
Após várias semanas de intensa espera, o Escritório Nacional Eleitoral do Peru anunciou oficialmente que, com a apuração de 100% das urnas, a candidata de direita Keiko Fujimori é a nova presidente do país sul-americano. A líder do Força Popular obteve 9.223.000 votos válidos, o que equivale a 50,135% do total consolidado. Seu oponente, o esquerdista Roberto Sánchez, terminou a disputa com 9.173.755 votos, alcançando 49,865% da preferência do eleitorado, em um resultado que confirma a profunda divisão política vivida pela nação.
Diante de números irreversíveis, a nova presidente declarou, no dia 25 de junho, que o período eleitoral ficou para trás e que o foco agora se volta para os próximos cinco anos de mandato. Em seu discurso, Fujimori enfatizou que o principal objetivo de sua gestão será restabelecer o funcionamento do Estado e retomar a segurança pública, garantindo que os cidadãos possam voltar a transitar em paz pelas ruas. A celebração da vitória reuniu apoiadores no bairro de Villa María del Triunfo, em Lima, onde ela foi ovacionada com gritos de “China, valente, eis aqui o teu povo!”, em referência ao apelido de origem familiar herdado de seu pai.
Trajetória política e a herança do fujimorismo
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, Keiko tem uma longa estrada na política andina, iniciada ainda no final do século XX. Entre 1994 e 2000, ela assumiu as funções de primeira-dama do país após suceder sua mãe, Susana Higuchi. A transição para cargos eletivos ocorreu em 2006, quando foi eleita deputada pela região metropolitana de Lima, função que exerceu até 2011. Foi nesse período que ela fundou o partido Força Popular (FP), com o objetivo de unificar as bases do fujimorismo.
Sob a legenda do Força Popular, Keiko disputou e perdeu três segundos turnos consecutivos por margens estreitas de votos: em 2011 para Ollanta Humala, em 2016 para Pedro Pablo Kuczynski e em 2021 para Pedro Castillo. Mesmo enfrentando o peso das condenações de seu pai por violações de direitos humanos, ela conseguiu construir seu caminho até a vitória atual ao resgatar o discurso de “restauração da ordem”, espelhado no modelo econômico e político implementado pela sua família na década de 1990.
O percurso de Keiko Fujimori também foi marcado por forte turbulência jurídica. Acusada de lavagem de dinheiro nas campanhas de 2011 e 2016, ela cumpriu prisão preventiva por quase um ano e meio, entre o fim de 2018 e o início de 2020. Mais tarde, após a derrota para Pedro Castillo em 2021, a líder política chegou a contestar o resultado alegando fraude e tentou anular a votação em zonas rurais, onde o adversário havia sido amplamente majoritário, embora nenhuma prova concreta tenha sido apresentada na ocasião. O cenário jurídico só mudou drasticamente em 2025, quando o Tribunal Constitucional do Peru anulou todo o processo de investigação contra ela por considerá-lo sem fundamento jurídico e flagrantemente inconstitucional.
As diretrizes do novo governo
Consolidada no poder sob o slogan “Peru com ordem”, a plataforma de governo da nova presidente foca na criação de um ambiente seguro, competitivo e justo através de uma economia social de mercado. No campo social, a gestão de Fujimori assume um forte caráter conservador, alinhado à rejeição ao aborto e à oposição à educação sexual abrangente nas escolas públicas. A governante defende a preservação do direito à vida desde a concepção e reforça que a família é a célula fundamental da sociedade, cabendo aos pais o direito e a obrigação de decidir sobre a educação dos filhos.
As diretrizes políticas do novo mandato também incluem um apoio institucional permanente às Forças Armadas e à Polícia Nacional, classificadas por ela como heroínas na segurança nacional. No aspecto econômico, a proposta central gira em torno do chamado “capitalismo popular”, combinando os princípios do livre mercado com políticas de proteção aos setores mais vulneráveis. Segundo Fujimori, a educação e os programas sociais atuarão de forma integrada como os principais motores de mobilidade social e igualdade de direitos para a população peruana nos próximos anos.