Cidades em Minas e Pernambuco registram tremores de terra em menos de 12 horas
Duas regiões brasileiras registraram abalos sísmicos de baixa intensidade nas últimas horas. Os fenômenos, embora leves e sem registro de danos materiais ou feridos, mobilizaram os centros de monitoramento sismológico que acompanham a atividade geológica no país.
Sismo raso em Sete Lagoas (MG)
Na noite de segunda-feira, 29 de junho, a cidade de Sete Lagoas, localizada na região Central de Minas Gerais, foi palco de um tremor de magnitude 1,5 na escala Richter. O abalo ocorreu exatamente às 23h25min16s, no horário de Brasília, de acordo com as informações consolidadas pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR).
A análise técnica do evento ficou sob a responsabilidade do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Nos registros internacionais, que utilizam o Tempo Universal Coordenado (UTC), o sismo foi computado às 2h25min16s de terça-feira, 30 de junho.
Os dados de satélite da RSBR apontaram que o abalo ocorreu nas coordenadas 19,46° S e 44,27° W. O relatório indicou uma profundidade nominal de zero quilômetro. Os especialistas esclarecem que isso não significa que o ponto de origem foi na superfície, mas sim que se trata de um sismo raso — situado em uma faixa de até 10 quilômetros de profundidade —, cuja precisão exata não pôde ser estimada devido à limitação de dados. O cálculo do horário de origem também apresentou uma margem técnica de incerteza de quase um segundo. Até o momento, as autoridades locais não receberam relatos de moradores que tenham sentido o impacto ou sofrido prejuízos.
Histórico de abalos em Caruaru (PE)
Poucas horas depois, já na manhã desta terça-feira, dia 30, o Agreste de Pernambuco também registrou atividade sísmica. O município de Caruaru sofreu um tremor de magnitude 1,6 na escala Richter, detectado precisamente às 7h24 pelas agências de controle. Assim como no caso mineiro, a Defesa Civil não reportou qualquer dano estrutural na cidade.
O monitoramento do abalo foi conduzido pelo Laboratório de Sismologia (LabSis) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os pesquisadores da instituição explicaram que este novo evento faz parte de uma sequência regular de tremores que atinge a localidade. Caruaru possui um histórico documentado de atividade sísmica que remonta ao século XIX, o que justifica a presença constante de uma estação sismográfica dedicada na região administrada pela UFRN.
De acordo com as explicações técnicas do LabSis, os tremores recorrentes no Agreste pernambucano estão diretamente ligados ao Lineamento Pernambuco, uma falha geológica ativa e bastante conhecida no meio científico por sua capacidade sismogênica. A mesma estrutura foi responsável pelo abalo mais forte já registrado na área, que atingiu magnitude 4,0 na escala Richter em 2005, no município vizinho de São Caetano. A região continua sob constante observação, lembrando que em junho de 2025 outros dois tremores em um curto intervalo de dez minutos assustaram os moradores entre Caruaru e Belo Jardim.