Ucrânia ameaça responder a bombardeios russos enquanto tensão com Trump escala após anúncio de trégua
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, garantiu que o país responderá na mesma moeda aos contínuos bombardeios russos contra a rede elétrica ucraniana. Em pronunciamento feito a autoridades de segurança europeias em Varsóvia, o líder alertou que Kiev retaliará caso Moscou não aceite um cessar-fogo focado na infraestrutura energética durante o inverno. A declaração ocorre em meio à intensificação das investidas de Moscou com mísseis balísticos e drones a jato, provocando apagões e desabastecimento de água antes do período mais frio do ano.
Apesar de Kiev buscar um acordo de trégua energética para aliviar a pressão sobre o sistema nacional, a Rússia segue irredutível. Pouco após ser anunciado um suposto entendimento entre as partes, um ataque direcionado a uma usina em Kharkiv voltou a deixar grande parte da capital ucraniana às escuras, evidenciando o fracasso das tentativas de negociação até o momento.
Impasse diplomático e as declarações de Trump
A crise ganhou novos contornos políticos após o ex-presidente norte-americano Donald Trump divulgar um suposto “cessar-fogo energético” entre os países envolvidos. A declaração pegou o governo ucraniano de surpresa durante um ataque de drones em Kiev, levando Zelenskyy a ironizar a eficácia do anúncio perante as ações do Kremlin. A proposta defendida por Trump previa a suspensão mútua de ataques a refinarias de petróleo — uma medida criticada pela diplomacia europeia por beneficiar desproporcionalmente a Rússia, que possui uma infraestrutura petrolífera significativamente maior.
A divergência entre Washington e Kiev escalou fortemente após os EUA decidirem suspender as sanções sobre as importações do diesel russo. Trump justificou a medida como uma tentativa de conter a alta dos combustíveis antes das eleições norte-americanas, atribuindo a alta dos preços às investidas ucranianas, e não às oscilações do mercado global decorrentes dos conflitos no Oriente Médio.
Atrito político e reação da União Europeia
A decisão de aliviar as sanções contra o combustível russo gerou duras reações do governo ucraniano e de aliados na Europa. Zelenskyy classificou a postura de Washington como fraca, alertando que a medida injetaria bilhões de dólares na máquina de guerra de Vladimir Putin. Em resposta, Trump elevou o tom das críticas ao exigir a interrupção imediata dos ataques às refinarias russas e sugerir que a Ucrânia necessita de um novo comando. Zelenskyy rebatendo afirmando que a liderança do país cabe ao povo ucraniano, sinalizando abertura para organizar eleições caso a Rússia concorde com uma trégua irrestrita de 60 dias.
Enquanto isso, a União Europeia reforçou seu apoio a Kiev e expressou ceticismo em relação ao cumprimento de qualquer cessar-fogo por parte de Moscou. Ministros europeus e diplomatas dos países bálticos condenaram a flexibilização das sanções promovida pelos EUA, argumentando que a redução da pressão sobre o Kremlin compromete a unidade transatlântica e enfraquece a estratégia de contenção à agressão russa na região.