“Palanque ou picadeiro”: André Mendonça rebate ataques de Gilmar Mendes e acirra crise no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) registrou mais um capítulo de tensão institucional nesta quinta-feira (17), após uma troca de declarações públicas entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. O atrito gira em torno da condução do chamado caso Master, cuja relatoria está sob a responsabilidade de Mendonça, e expõe divergências profundas sobre transparência, sigilo processual e a postura pública dos magistrados da mais alta Corte do país.
Críticas e acusações sobre o caso Master
A escalada verbal teve início quando o decano da Corte, Gilmar Mendes, utilizou as redes sociais para tecer duras críticas ao colega de plenário. Na ocasião, o decano saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e atribuiu motivações político-eleitorais à decisão de Mendonça de levantar o sigilo de documentos relacionados ao processo, menção que incluía referências a Gonet.
Nas publicações, Gilmar comparou a atuação de Mendonça à de figuras centrais da Operação Lava Jato, como o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol. O decano argumentou que a publicidade dada aos autos nas vésperas do feriado de 7 de setembro teria tido o propósito de inflar manifestações populares, gerar dividendos políticos e manchar reputações.
A resposta e a defesa do relator
Em nota oficial divulgada no mesmo dia, André Mendonça rebateu as acusações sem mencionar nominalmente o colega, mas adotando tom firme. O magistrado afirmou que jamais transformou o plenário em palco para ataques truculentos ou fundamentados em ilações vazias.
Mendonça esclareceu que a abertura dos dados não foi uma iniciativa isolada de sua relatoria, pontuando que a exigência de publicidade integral partiu justamente de quem agora demonstra indignação. O relator também negou qualquer tolerância com vazamentos indevidos, lembrando que determinou investigações rigorosas sobre repasses de informações à imprensa, inclusive envolvendo um servidor da Polícia Federal.
Defesa de código de ética e repercussões
O relator do caso Master ainda questionou o que chamou de seletividade na preocupação com a exposição de investigados, apontando que o vazamento de conversas telefônicas tem constrangido estrategicamente ministros de correntes jurídicas divergentes. Para Mendonça, a tentativa de constranger pares por meio de insinuações públicas reforça a necessidade de regulação disciplinar na Corte.
Diante do episódio, o ministro manifestou apoio à proposta apresentada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para a criação e aprovação de um código de ética interno. Segundo Mendonça, regras claras são urgentes para disciplinar a conduta esperada dos magistrados tanto dentro quanto fora dos tribunais, preservando a serenidade e o respeito mútuo entre os integrantes do colegiado.