Close

Ministro Mendonça autoriza quebra de sigilo e monitoramento de celular de Jaques Wagner

Compartilhe

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra do sigilo telefônico e o monitoramento das movimentações do aparelho celular do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado. A medida foi motivada pela suspeita de que informações sobre a Operação Compliance Zero, que investiga o parlamentar, teriam vazado antecipadamente. A defesa do senador ainda não se pronunciou sobre o caso.

A decisão de Mendonça, tornada pública nesta quinta-feira (30), foi fundamentada, em parte, por uma coincidência atípica: o ministro recebeu um pedido de audiência por parte de um dos investigados justamente no mesmo dia em que a Polícia Federal protocolou solicitações de medidas cautelares contra o petista, em 9 de junho de 2026. Em sua decisão, o magistrado destacou que o risco de vazamento indevido era agravado pela temporalidade dos eventos, o que poderia comprometer o sucesso das diligências.

Indícios de corrupção e elos com o Banco Master

As investigações da Polícia Federal apontam para o recebimento de propinas oriundas do Banco Master por parte de Jaques Wagner. Conforme os documentos, o esquema teria sido utilizado para a aquisição de um imóvel no valor de R$ 2,5 milhões em nome do senador, replicando o modus operandi identificado na compra de bens pelo ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Além das transações imobiliárias, a corporação reuniu elementos que indicam uma relação próxima entre o senador e o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Entre os indícios listados, figuram o agendamento de encontros no Senado e a disponibilização de uma aeronave particular em um hangar reservado para uso do parlamentar. Em uma das conversas interceptadas, Vorcaro teria mencionado que Wagner atuaria como intermediário para transmitir recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Leia+  ADPF pede que Paulo Gonet se declare impedido em apuração envolvendo relatório da PF e STF
Estratégia de monitoramento remoto

A necessidade do monitoramento das antenas de telefonia celular pelo período de dez dias foi justificada pela Polícia Federal como uma estratégia para evitar que a investigação fosse descoberta precocemente. A corporação temia que o uso de equipes de campo para vigilância física pudesse alertar o senador, resultando na destruição de provas, ocultação de documentos ou possível evasão.

O cuidado com o sigilo das ações ganhou contornos adicionais após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão da nona fase da operação, em 18 de junho. Um dia após a ação policial, Jaques Wagner tentou realizar a venda de um terreno avaliado em R$ 15 milhões na região metropolitana de Salvador, transação que acabou impedida pelo cartório devido a uma ordem judicial de bloqueio de bens. Diante desse cenário, o ministro André Mendonça reforçou que medidas ostensivas de campo poderiam, naquele momento, inviabilizar a colheita de elementos probatórios essenciais para o desenrolar das investigações.

Foto: AP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br