Flávio Bolsonaro pede à PF ampliação de prazo para depor em inquérito sobre calúnia contra Lula

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A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou à Polícia Federal a ampliação do prazo para que o parlamentar preste depoimento no inquérito em que é acusado de caluniar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A PF encaminhou o pedido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relatando que a solicitação dos advogados ocorreu após diversas tentativas dos agentes de agendar a oitiva. Anteriormente, Moraes havia estabelecido um limite de dez dias para a realização do depoimento.

Diante das dificuldades de conciliação de datas, os investigadores chegaram a oferecer a possibilidade de realizar a audiência por videochamada. Em relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes, o delegado da PF Antonio Carlos Knoll de Carvalho explicou que a alternativa virtual foi sugerida para dar maior flexibilidade à diligência e facilitar a participação do investigado, que atualmente se apresenta como pré-candidato à Presidência.

Alegação de agenda cheia e velocidade do processo

Os advogados de Flávio Bolsonaro justificaram o pedido apontando o “exíguo prazo ofertado” e solicitaram que novas datas sejam propostas com uma antecedência razoável. A defesa argumentou que a falta de agendamento não reflete descaso com as autoridades, mas sim uma incompatibilidade real de agendas. Segundo os defensores, o curto intervalo fixado chocou-se diretamente com os compromissos de pré-campanha do senador, que incluem viagens e eventos planejados há bastante tempo.

Além disso, a defesa sustentou que a extensão do prazo não trará prejuízos ao andamento das investigações, destacando que o inquérito tramita com uma velocidade incomum, tendo em vista que a apuração sequer completou três meses de duração. O caso teve início a partir de uma solicitação da própria Polícia Federal, que contou com o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a posterior autorização do ministro Alexandre de Moraes.

A origem da investigação e os limites da atuação da defesa

O inquérito foi motivado por uma publicação nas redes sociais em que Flávio Bolsonaro associou a imagem de Lula à do presidente venezuelano Nicolás Maduro, sugerindo que o petista seria delatado. A postagem foi feita no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram acusações contra Maduro por suposto envolvimento com o tráfico de drogas, ocasião em que o senador publicou mensagens mencionando tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e suporte a ditaduras.

Após analisar o material, a Polícia Federal concluiu que a postagem configurou crime de calúnia. Diante disso, a PGR recomendou a oitiva do senador para esclarecer os fatos, medida que foi prontamente acolhida por Moraes. Durante o processo, os advogados de Flávio chegaram a solicitar a realização de uma série de outras oitivas, mas o pedido foi negado pelo ministro do STF, que considerou a iniciativa uma tentativa de interferir ou direcionar os rumos da investigação conduzida pela polícia.

Foto: AP

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