Terremoto atinge Yellowstone e moradores sentem o impacto a quilômetros de distância

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Um terremoto de magnitude 3,3 atingiu o Parque Nacional de Yellowstone na manhã de quinta-feira, assustando moradores e visitantes. O tremor foi perceptível para pessoas localizadas a até 48 quilômetros de distância do epicentro, evidenciando a força silenciosa que se move sob uma das áreas geológicas mais famosas do mundo.

O abalo sísmico ocorreu precisamente às 7h20, registrando seu epicentro ao longo da conhecida Grand Loop Road, ao sul de Canyon Junction. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o fenômeno se originou a uma profundidade de aproximadamente 6,5 quilômetros abaixo da superfície. Apesar de ter sido amplamente percebido na região, o impacto foi considerado de baixa intensidade e não houve qualquer registro de danos materiais ou feridos.

O USGS classificou o evento com o nível III (“Fraco”) na escala de intensidade Mercalli Modificada (MMI). Na prática, a sensação provocada pelo tremor assemelha-se às vibrações cotidianas de um caminhão de grande porte passando pela rua, o que explica o porquê de dezenas de relatos terem sido enviados ao órgão sem que houvesse pânico generalizado.

 (Serviço Geológico dos EUA)
O comportamento sísmico do Wyoming

Curiosamente, o evento recente não foi o tremor mais forte registrado no estado do Wyoming durante aquela semana. Dias antes, na terça-feira, um terremoto ainda maior, de magnitude 3,5, foi detectado a oeste de Rock Springs. Esses fenômenos reforçam que a região é geologicamente instável e que o solo permanece em constante movimentação.

O Parque de Yellowstone se destaca como uma das áreas tectonicamente mais ativas de toda a América do Norte. Para se ter uma ideia, apenas no mês de junho anterior ao evento, os sismógrafos registraram um total de 118 terremotos na região. Embora o tremor de magnitude 3,3 tenha sido o maior do ano em Yellowstone até aquele momento, os cientistas ressaltam que eventos dessa magnitude são totalmente esperados no ciclo anual do parque.

Mike Poland, cientista responsável pelo Observatório do Vulcão de Yellowstone, pondera que, embora tremores acima de magnitude 3 chamem a atenção do público, eles fazem parte da rotina local. De acordo com o especialista, o parque costuma registrar de três a dez sismos dessa faixa de magnitude anualmente, enquanto a esmagadora maioria dos tremores não passa de magnitude 2.

Os dados históricos de 2025 ilustram bem esse comportamento: ao todo, foram contabilizados 1.119 terremotos em Yellowstone e arredores, tendo como picos três tremores de magnitude 3,7. Apesar de o número parecer alto, Poland classificou o período como um “ano tranquilo”, já que a média histórica do parque varia entre 1.500 e 2.500 eventos sísmicos anuais.

Distância e percepção dos abalos

A percepção humana de tais eventos costuma variar drasticamente com a distância. James Mauch, geólogo do Serviço Geológico de Wyoming, relembra que em janeiro de 2025, quando um terremoto de magnitude 3,9 atingiu o parque — o maior desde 2023 —, o sismógrafo instalado na sede do órgão, em Laramie, sequer detectou o abalo.

A explicação reside no fato de Laramie estar a cerca de 560 quilômetros do epicentro, uma distância longa demais para que a energia de um sismo de baixa magnitude se mantivesse detectável. Segundo Mauch, o parque registra em média apenas cinco terremotos “sentidos” pela população a cada ano, o que mantém o evento recente dentro dos padrões de normalidade esperados para a região.

Sem relação com atividades vulcânicas

Para os que temem o despertar do supervulcão de Yellowstone, os especialistas trazem tranquilidade. Os dados coletados mostram que o terremoto ocorreu em uma camada muito superficial da crosta para indicar qualquer tipo de movimentação de magma ou reativação de sistemas vulcânicos.

O fenômeno deve-se, na verdade, à vasta rede de falhas geológicas ativas e à intensa circulação de água subterrânea aquecida, fatores que tornam o subsolo de Yellowstone propício a constantes acomodações de terra. Assim, cientistas reforçam que o tremor de 3,3 foi apenas mais um evento tectônico comum, sem nenhuma correlação com ameaças vulcânicas iminentes.

Foto: AP

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