Trump enterra acordo de cessar-fogo com o Irã em discurso na OTAN: “Acabou”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou o término do cessar-fogo com o Irã logo na sua chegada à cúpula da OTAN em Ancara, na Turquia. Em uma declaração contundente ao lado do secretário-geral da aliança, Mark Rutte, o líder americano proferiu duras críticas à liderança iraniana, classificando-os como violentos e perigosos. O anúncio ocorre poucas horas após as forças armadas dos EUA bombardearem mais de 80 alvos ligados a Teerã na região do Estreito de Ormuz, além de cancelarem a permissão especial que viabilizava a exportação do petróleo iraniano. A ofensiva militar foi uma resposta direta a investidas anteriores contra embarcações mercantes.
Embora o presidente tenha enfatizado que os diplomatas de Washington ainda mantêm a intenção de dialogar, ele reforçou sua postura inflexível ao afirmar que o pacto de não agressão chegou ao fim. O clima de hostilidade já era antecipado por delegações europeias devido ao comportamento ríspido de Trump na noite anterior. O desgaste se aprofundou pelo histórico recente de conflitos na região do Oriente Médio, que resultou na instabilidade do mercado de combustíveis e na ausência de um consenso definitivo sobre as ambições nucleares iranianas.
Atritos com aliados europeus e retaliação comercial
A insatisfação da Casa Branca também se estendeu aos próprios parceiros da OTAN. Trump demonstrou profunda irritação com a falta de suporte logístico da maioria das nações europeias durante as incursões aéreas contra o Irã. O Reino Unido foi um dos alvos específicos das queixas presidenciais devido à demora inicial do primeiro-ministro Keir Starmer em autorizar o uso de bases aéreas britânicas para os bombardeiros americanos, restrição que foi flexibilizada posteriormente para ataques pontuais.
A Espanha tornou-se o principal foco de descontentamento financeiro após se recusar a aderir formalmente à nova meta da organização, que prevê investimentos de 3,5% do PIB em defesa até o ano de 2035. Em reação à postura de Madri, o mandatário dos EUA orientou publicamente sua equipe econômica a avaliar a suspensão de transações comerciais com o país ibérico. Em contrapartida, representantes do governo espanhol minimizaram as ameaças e declararam que pretendem preservar a estabilidade dos laços econômicos e culturais com os americanos.
A disputa sobre a Groenlândia e o futuro da aliança
Outro ponto de divergência reavivado durante a coletiva de 15 minutos foi a insistência de Trump na anexação da Groenlândia, território considerado por ele como estratégico para a segurança norte-americana. A posição foi prontamente rebatida pela primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que assegurou a soberania dinamarquesa sobre a região e descartou qualquer possibilidade de negociação territorial. Para tentar contornar a crise, Mark Rutte destacou acordos prévios que viabilizam o patrulhamento aéreo da OTAN no Ártico e elogiou o sucesso de Trump em pressionar os membros a elevarem seus aportes financeiros.
Apesar dos esforços da liderança da OTAN para selar um comunicado conjunto focado na defesa mútua e em investimentos de grande escala para conter ameaças externas, a instabilidade política gerada pelos discursos de Washington trouxe incertezas para os próximos anos. Diante do desgaste acumulado nos bastidores deste encontro na Turquia, a cúpula militar estuda a viabilidade de cancelar a edição planejada para 2027, buscando evitar novas divisões públicas entre os países integrantes.